Na tarde de ontem, quarta-feira (30), industriais, empresários, presidentes de sindicatos e lideranças setoriais reuniram-se com o governador Romeu Zema na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), em Belo Horizonte.
O encontro teve como foco os impactos imediatos do tarifaço anunciado pelos Estados Unidos, que elevou em até 50% as tarifas de importação sobre diversos produtos brasileiros.
A medida, publicada em decreto no mesmo dia, afeta diretamente a indústria exportadora de Minas.
A FIEMG apresentou ao governador um plano emergencial com propostas concretas para mitigar os danos à competitividade das empresas mineiras no mercado internacional.
FIEMG propõe devolução ágil de créditos de ICMS
Entre os principais pleitos do setor, a devolução direta de créditos acumulados de ICMS às empresas exportadoras foi um dos destaques. A proposta inclui a possibilidade de restituição ou compensação desses valores, além da transferência livre a terceiros — o que viabilizaria sua monetização. A entidade sugeriu ainda um rito simplificado para solicitação e liberação desses créditos, com prazos máximos definidos para resposta da autoridade fiscal.
Transação tributária e flexibilização ambiental
Outro ponto considerado urgente foi a criação de uma transação tributária emergencial com condições especiais para a regularização de débitos de ICMS, estejam ou não inscritos em dívida ativa. A medida visa preservar a saúde financeira das empresas e garantir acesso a crédito.
No campo ambiental, a FIEMG solicitou a suspensão, por 180 dias, de diversas obrigações regulatórias, incluindo condicionantes de licenciamento, taxas e exigências de monitoramento. A proposta segue modelo adotado durante a pandemia, em favor da recuperação econômica. Também foi reivindicada a flexibilização dos contratos de energia elétrica e gás natural, com adoção do pagamento proporcional ao consumo, em substituição às cláusulas rígidas do modelo “take or pay”, especialmente prejudicial aos setores eletrointensivos.
Fundo para ampliar exportações em novos mercados
Para fomentar a diversificação de destinos comerciais, a FIEMG propôs a criação de um fundo estadual voltado a custear a participação de empresas mineiras em feiras e missões internacionais. A medida busca abrir portas em mercados ainda não impactados pelo tarifaço norte-americano, sustentando a atividade industrial no estado.
Zema libera crédito emergencial e estuda isenção de ICMS
O governador Romeu Zema reconheceu a gravidade da crise e anunciou ações imediatas. Entre elas, a liberação de R$ 200 milhões pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) em linhas de crédito com juros subsidiados de 0,9% ao mês para exportadores. Também foi confirmada a monetização de R$ 100 milhões em créditos acumulados de ICMS.
Zema adiantou que está sendo estudada a isenção de ICMS para produtos originalmente destinados à exportação que, por conta das barreiras tarifárias, passarão a ser vendidos no mercado interno.
Críticas à política externa e apelo por urgência
Segundo o governador, embora a solução definitiva dependa da atuação do governo federal, o Estado está empenhado em fazer sua parte. Secretarias estaduais avaliam medidas como a postergação de prazos de tributos estaduais.
Zema criticou duramente a política externa brasileira, classificando-a como “conflituosa com parceiros estratégicos”. Para ele, a postura atual compromete a confiança de clientes internacionais. “Temos um governo insensível ao setor produtivo. Com cliente se dialoga, não se confronta”, afirmou.
Ferro-gusa e outros setores já enfrentam perdas
O presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, alertou para prejuízos já em curso. Segundo ele, embarques foram cancelados, contratos suspensos e pedidos retraídos — especialmente no setor de ferro-gusa, responsável por 50% das exportações industriais de Minas Gerais. “O impacto é gigantesco e imediato. Estamos falando de contratos desfeitos e navios que retornaram vazios”, enfatizou. Mesmo os segmentos isentos das tarifas enfrentam perdas por conta do ambiente de incerteza.
Monitoramento contínuo e prontidão para agir
Zema encerrou a coletiva reforçando o compromisso do governo mineiro com a proteção da indústria local. Ele comparou o cenário a um paciente febril, que exige monitoramento constante e ação rápida. “Estamos no meio de uma turbulência. Vamos aplicar os remédios que tivermos para amenizar o sofrimento. Se for preciso fazer mais, estamos de prontidão”, garantiu.
Acesse a íntegra da coletiva de imprensa do governador Romeu Zema e do presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, clicando aqui
Acesse o documento da FIEMG com propostas para redução dos impactos tarifários no setor industrial mineiro, clicando aqui




