Energia puxa inflação para cima
A alta na conta de luz pressionou a inflação oficial do país em julho.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,26%, resultado acima de maio (0,24%) e influenciado principalmente pela energia elétrica residencial, que avançou 3,04% no mês e foi o item de maior impacto individual no índice: 0,12 ponto percentual.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o grupo habitação subiu 0,91%, respondendo por 0,14 p.p. do IPCA.
A principal causa foi a adoção da bandeira tarifária vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos, medida necessária para custear usinas termelétricas diante da baixa nos reservatórios.
Reajustes em capitais como São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro também pesaram.
De janeiro a julho, a energia elétrica acumula alta de 10,18%, bem acima do IPCA no período (3,26%), registrando a maior variação para esse intervalo desde 2018.
Alívio no preço dos alimentos
Em contrapartida, o grupo alimentos e bebidas caiu 0,27%, contribuindo para frear a inflação.
Essa foi a maior queda desde agosto de 2024 e veio puxada pela alimentação no domicílio (-0,69%), com destaque para batata-inglesa (-20,27%), cebola (-13,26%) e arroz (-2,89%).
O gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, explica que, sem essa queda nos alimentos, o IPCA de julho teria fechado em 0,41%.
Outros grupos e destaques
Dos nove grupos pesquisados, três tiveram deflação:
- Alimentos e bebidas (-0,27%);
- Vestuário (-0,54%);
- Comunicação (-0,09%).
Além da habitação, registraram alta:
- Artigos de residência (0,09%);
- Transportes (0,35%);
- Saúde e cuidados pessoais (0,45%);
- Despesas pessoais (0,76%);
- Educação (0,02%).
No transporte, segundo a Agência Brasil, as passagens aéreas subiram 19,92% devido ao aumento da demanda nas férias escolares, sendo o segundo item que mais pressionou o IPCA, atrás apenas da conta de luz.
Combustíveis ajudaram a conter a alta, com queda de 0,64% — a gasolina recuou 0,51%, no quarto mês consecutivo de retração.
Em despesas pessoais, o destaque foi a alta nos jogos de azar (+11,17%), reflexo do reajuste nas loterias, que representou o terceiro maior impacto individual no mês.




