Dança, Angel e Zuzus
Estreando nesta terça-feira (18), o espetáculo de dança “Zuzus” é inspirado em fragmentos da história da estilista mineira Zuzu Angel, ativista contra a violência da ditadura que ceifou a vida de seu filho
Morta aos 54 anos de idade, Zuleika de Souza Netto – a Zuzu Angel – se tornou uma figura notável durante a época da ditadura militar quando, do desaparecimento/sequestro de seu filho e eventual assassinato do mesmo, definiu sua atitude e ideal em confrontar o Estado utilizando sua arte como estilista e influência pessoal a fim de denunciar os abusos e violência do regime tirânico estabelecido pelos militares de 1964 até 1985.
Ignorando a tempo que o filho – Stuart Angel Jones – já, possivelmente, havia sido morto pelos agentes da repressão, ela iniciara uma constante e aguerrida busca pelo jovem.

Apenas em 2014 a família recebeu a confirmação da morte de Stuart por meios “não naturais, violentos, causados pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistêmica e generalizada aos opositores”.
Em 2025, a certidão de óbito de Zuzu Angel foi retificada oficialmente pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, também sendo caracterizada a morte dela por homicídio cujos culpados foram autorizados pelo Estado.

Hoje, ela inspira o coletivo Mulheres na Dança a apresentar o espetáculo Zuzus nos palcos mineiros em curtíssima temporada.
As bailarinas Márcia Neves, Marise Dinis, Flavi Lopes e Gabriela Christófaro recontam através da dança e coreografia os atos da estilista durante seu período de ativismo e denúncia ao longo dos anos de ditadura.

Com direção assinada pela atriz e diretora Rita Clemente, Zuzus será apresentado nos dias 18 (contando com audiodescrição) e 19 de novembro na Funarte MG, às 20hs.
Os ingressos poderão ser retirados gratuitamente 1 hora antes na própria bilheteria da Funarte.
Para mais informações e contato: @mulheresemdanca
E se as lágrimas formam chuvas ou rios que deságuam no oceano, o que fica é a resolução objetiva de não admitir ou ser cúmplice – por omissão OU ato resoluto – de seres humanos vis que se outorgam autoridade suprema, carecas de saber o mal que perpetram em evidente corrupção de suas funções no Estado, que levam ao desastre uma nação inteira por sentirem medo, serem covardes ou simples tendência à perversão do costumeiro bem viver.
Isto foi no passado e é no presente, mas não será no futuro.
E o futuro é: Ele é uma mera probabilidade de uma realidade ampla que não conseguimos conter dentro do coração ou imaginar sequer com o pensamento mais robusto de todos.
Tiago Boson
- O colaborador Tiago Boson é multi-instrumentista autodidata, compositor, professor de música, pintor, ilustrador, escritor/poeta (não publicado).
E-mail: bosontiago@gmail.com
Instagram: @tiagoboson
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