Tecnologia e ações fiscais ampliam combate à sonegação em Minas
Em 2025, as ações de fiscalização da Receita Estadual resultaram na recuperação de R$ 5 bilhões em tributos não recolhidos em Minas Gerais.
O montante decorre da identificação de irregularidades, inconsistências fiscais e práticas de sonegação.
O desempenho é atribuído ao investimento contínuo em tecnologias avançadas, cruzamento massivo de dados e modelos estatísticos capazes de detectar comportamentos atípicos entre contribuintes.
Além das 91 operações de campo realizadas ao longo do ano, a Secretaria de Estado de Fazenda (SEF-MG) ampliou o uso da fiscalização preditiva, que antecipa irregularidades antes mesmo de sua consolidação. Com isso, contribuintes são notificados previamente e têm a oportunidade de regularizar a situação sem a necessidade de autuação.
Para o secretário de Fazenda, Luiz Claudio Gomes, essa inteligência fiscal tem impacto direto sobre o resultado arrecadatório. “Diferentemente das operações ostensivas, o trabalho de inteligência é invisível ao público, mas produz resultados significativos, sendo responsável pela maior parte dos créditos tributários recuperados pelo Fisco”, afirma.
O vice-governador e presidente do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Minas Gerais (Cira-MG), Mateus Simões, acompanhou recentemente fiscalizações em diferentes setores — com destaque para o segmento de combustíveis, que resultou na cassação de inscrições estaduais de centenas de postos e na cobrança do imposto sonegado.
Outra operação relevante em 2025 desmontou um esquema de falsificação de sabão em pó, com dezenas de fábricas clandestinas fechadas.
Para Simões, o objetivo central das ações fiscais é educativo.
“É preciso deixar claro que há consequências, inclusive pena de cadeia, para quem tenta não pagar os impostos em Minas Gerais. Quando uma empresa não paga o imposto, prejudica a outra que cumpre suas obrigações e enfrenta concorrência desleal”, afirma.
Tecnologia como aliada
Segundo o superintendente de Fiscalização da SEF-MG, Carlos Renato Confar, o Estado vive uma transformação qualitativa na forma de fiscalizar, impulsionada por automação, inteligência artificial, integração entre órgãos e planejamento estratégico.
Entre as ferramentas utilizadas estão:
- Divisa Tributária Segura (DTS)
- Autorreg (Autorregularização)
- GEO-ITCD
- Radar Fiscal
- Laboratório de Auditoria Digital
Esses sistemas integram um ecossistema de vigilância inteligente composto por robôs de varredura, trilhas digitais, malhas fiscais e plataformas de tratamento de grandes volumes de dados. Na prática, permitem mapear cadeias complexas de circulação de mercadorias, identificar padrões suspeitos e orientar ações de campo com precisão.
“Essa inteligência fiscal vai além da recuperação de créditos. Ela fortalece a capacidade do Estado de planejar políticas públicas, garante concorrência leal e assegura que os recursos arrecadados retornem à sociedade na forma de serviços essenciais, transformando dados em valor público”, ressalta Confaas e precisa de 21 votos para avançar.
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