Galo: Difícil entender!
Tem coisa no futebol que nem padre de cidade pequena consegue explicar.
O Atlético entrou em campo contra o Botafogo com pinta de gigante europeu, jogou bola de encher os olhos, empurrou o adversário contra a parede, criou chances até debaixo da arquibancada, mas saiu do jogo com aquela cara de sujeito que esqueceu a carteira no botequim.
Foi partida pra ganhar de dois, talvez três. Só que futebol não absolve inocente: quem perde gol demais acaba rezando no fim. E o Galo, ultimamente, anda rezando mais do que jogando os minutos finais.
Aí chegaram os vinte minutos do segundo tempo e o time desmonta igual guarda-chuva vagabundo em dia de tempestade. Mexeu daqui, trocou dali, e a bola aérea, como tem acontecido, virou filme de terror.
Cruzou na área atleticana, o torcedor já procura o comprimido de pressão. A defesa bate cabeça, o meio não marca ninguém e sobrou pro pobre do Natanael virar quarto zagueiro improvisado, porque faltou gente de ofício.
Lianco, suspenso, pela infantilidade da expulsão no último jogo, fez jus à bronca que tomou do Lodi.
Lá na frente, Minda, Cassierra e Cuejjo mostram que o ataque pode dar samba, forró e tango ao mesmo tempo, mas sem meio-campo o piano vira peso morto.
O consolo é que a Copa do Mundo vem aí, daqui a 29 dias. O Brasileirão para e abre a janela. E janela, no caso do Atlético, não é pra entrar vento: é pra entrar zagueiro, volante e talvez um pouco de juízo.
Enquanto isso, estamos a dois pontos do inferno (zona de rebaixamento) e a meia dúzia do paraíso (classificação da libertadores).
Futebol é isso: desgraça e esperança tomando cerveja na mesma mesa.
Mas acho que ainda vai dar pra torcer nesse brasileirão!
Né não?
Afonso Canabrava
- Instagram: @afonsocanabrava
Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.
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