Carnaval da Forja: folia medieval na Savassi
Enquanto o Brasil inteiro pulsa ao som de tambores e guitarras elétricas, Belo Horizonte prova, mais uma vez, por que é reconhecida como a capital dos bares e restaurantes. No coração vibrante da Savassi, a Forja Taverna ergue suas portas como um portal temporal e convida o público a viver algo incomum, quase épico.
É o Carnaval da Forja, uma celebração que une o fervor do Carnaval de rua de BH à mística ancestral das antigas tavernas medievais. Um encontro entre aço, fogo e alegria. Entre guerreiros e foliões. Entre tradição e ousadia.
Com destaque especial para o domingo, 15 de fevereiro, a casa promete transformar a Rua Cláudio Manoel em um verdadeiro palco de bardos elétricos, chamas coreografadas e brindes dignos de reinos esquecidos pelo tempo.
Sexta de batalhas e brindes
A jornada começa na sexta-feira, com o já aguardado “Happy Hour da Última Chamada”. E não, não é apenas um happy hour comum. É um rito de iniciação.
Logo na entrada, o visitante percebe que está diante de algo singular. O som ecoa pelas paredes rústicas. O aroma de especiarias antigas mistura-se ao perfume do malte artesanal. E então, o espetáculo começa.
Entre as atrações exclusivas da casa, destaca-se o arremesso de machado — atividade que rapidamente se tornou um dos símbolos da Forja Taverna. Mais do que entretenimento, trata-se de uma experiência sensorial, onde força e precisão dialogam com o espírito competitivo da Idade Média.
A noite ainda reserva shows de pirofagia, com chamas coreografadas que hipnotizam o público. O fogo dança. O salão silencia. Aplausos irrompem.
E, para completar a atmosfera teatral, entram em cena o icônico Bobo da Corte e Don Emídio Navarro, personagens que transitam entre o humor, a sátira e o drama medieval, arrancando risadas e suspiros.
A trilha sonora fica sob o comando de Pedro e o Lobo, que entoa melodias celtas e narrativas épicas, transformando o espaço em um verdadeiro salão de banquetes ancestrais.
Domingo de bardos elétricos
Após fechar as portas no sábado para concentrar energias, a Forja retorna com potência máxima no domingo (15/02). Das 13h às 18h, a festa ganha as ruas.
A Rua Cláudio Manoel, em frente ao número 500, será tomada por uma mistura improvável — e fascinante — de foliões contemporâneos e guerreiros medievais. Uma fusão estética que salta aos olhos e desafia convenções.
No comando do espetáculo, os Bardos Elétricos, banda que funde sonoridade medieval com o vigor contagiante do Carnaval. Alaúdes dialogam com guitarras. Percussões antigas encontram batidas festivas. O resultado? Um som vibrante, arrebatador, impossível de ignorar.
A proposta é simples, mas ousada: levar o espírito da taverna para a calçada. Expandir a experiência. Transformar o espaço urbano em território épico.
Gastronomia de reino
Nenhuma celebração medieval estaria completa sem um banquete à altura. E nesse quesito, a Forja Taverna não economiza em autenticidade.
Desde sua inauguração, em 2022, o estabelecimento se consolidou como uma das experiências gastronômicas mais singulares de Belo Horizonte. A proposta sempre foi clara: criar uma autêntica taverna medieval — e cumprir essa promessa com rigor histórico e criatividade contemporânea.
A ideia nasceu do sócio Igor, que após temporada no exterior, retornou ao Brasil decidido a materializar um sonho antigo. Apaixonado por história e cultura medieval, ele e seu parceiro mergulharam em pesquisas, viagens e estudos aprofundados para construir um conceito sólido e coerente. Nada foi improvisado.
O nome Forja Taverna carrega simbolismo. A forja, na Idade Média, era o espaço onde ferreiros moldavam armas, armaduras e ferraduras — um elo comum entre diferentes povos da época. A escolha traduz o propósito da casa: ser ponto de encontro cultural, histórico e sensorial.
Um mergulho no passado
Ao cruzar a porta da Forja, o visitante é imediatamente transportado. A decoração é meticulosamente planejada, com artefatos produzidos sob encomenda. Réplicas historicamente fiéis de armas e armaduras adornam as paredes. Bandeiras multiculturais dialogam com símbolos antigos. Até a coifa foi desenhada em formato de elmo. Cada detalhe foi pensado para criar imersão.
Os sócios participaram de leilões, encomendaram peças exclusivas e estudaram referências históricas para garantir autenticidade. O resultado é um ambiente que não apenas remete ao passado — ele o revive.
Sabores do ocidente ao oriente
A gastronomia acompanha essa proposta de viagem temporal. O cardápio, elaborado pelo Chef Kiki Ferrari com contribuições de Igor, percorre o eixo histórico que vai do oriente ao ocidente medieval.
Insumos, temperos e técnicas foram pesquisados com atenção quase acadêmica. O objetivo? Resgatar cores, texturas e sabores de uma era que moldou a culinária contemporânea.
Entre os destaques está a Bisteca de Apicius (Ofellae), uma bisteca bovina marinada à moda romana. A receita remonta ao clássico “De Re Coquinaria”, uma das obras culinárias mais antigas do mundo, atribuída a Apicius.
Mel, azeite, pimenta longa e garum — molho ancestral à base de peixe que originou a famosa Colatura di Alici — compõem a marinada. O resultado é um prato robusto, aromático e surpreendentemente atual.
Outro diferencial da casa é a possibilidade de encomendar um banquete medieval completo para levar para casa: o Porco Real, ideal para celebrações temáticas e encontros especiais. É história no prato. É cultura servida à mesa.
Bebidas com herança milenar
A Sangria Romana (Conditum Paradoxum) mistura vinho rosé, mel, açafrão, louro e xarope de tâmara. Inspirada na tradição romana, essa versão remete ao antigo “Hipocras”, bebida grega associada a Hipócrates.
Ervas e especiarias eram incorporadas não apenas pelo sabor, mas também por suas supostas propriedades medicinais. Ao longo dos séculos, diferentes versões se espalharam pela Europa, influenciando criações como a sangria moderna e até o tradicional quentão brasileiro.
Outro destaque é o Brinde de Solstício (Wassail). A bebida combina sidra, cerveja, hidromel, casca de laranja, pimenta jamaica, noz-moscada e canela.
“Wassail”, derivado do nórdico antigo “Ves Heill”, significa “Saúde”. Trata-se de uma cerimônia anglo-saxã celebrada durante o solstício de inverno, cujo propósito era despertar as macieiras e afastar maus espíritos, garantindo boa colheita. Tradição que atravessa séculos. E que agora encontra espaço em Belo Horizonte.
Em meio à efervescência cultural de Belo Horizonte, a Forja Taverna reafirma que a cidade vai além do previsível. Que é possível inovar sem perder profundidade histórica. Que o Carnaval pode, sim, dialogar com espadas, elmos e cantos celtas. Para quem busca algo diferente, memorável, quase cinematográfico, a Savassi oferece um destino certeiro. Afinal, nem só de samba vive a folia.
Serviço: A Forja
Endereço: Cláudio Manoel 500, Savassi
Telefone: (31)98291-9595
Redes: @forjataverna
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