Publicação da Emater-MG percorre 16 regiões produtoras
Entre montanhas, estradas de terra e pequenas propriedades rurais, o queijo artesanal mineiro carrega histórias que vão muito além do sabor. Esse universo é retratado no livro “Queijos Artesanais de Minas”, lançado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).
Com mais de 200 páginas, a obra reúne relatos de produtores de 16 regiões do estado e revela, por meio de histórias de vida, a riqueza cultural e social por trás de um dos maiores símbolos de Minas Gerais.
O livro é resultado de um trabalho realizado ao longo de dois anos, período em que foram feitas visitas e entrevistas com 96 produtores. As narrativas mostram trajetórias marcadas por tradição, resistência e pertencimento, nas quais o queijo aparece como elo entre gerações.
Os relatos foram transformados em texto pelas jornalistas Carolina Daher e Ana Sandim, com fotografias de Magê Monteiro e Ignácio Costa. A coordenação do projeto ficou a cargo da equipe de Queijos Artesanais da Emater-MG.
Para o presidente da instituição, Otávio Maia, a publicação é também uma forma de reconhecer o papel da atividade na vida de milhares de famílias do campo.
“O livro representa o reconhecimento, a valorização e a promoção desse produto tão característico do nosso dia a dia. A produção artesanal do queijo leva dignidade, renda e qualidade de vida para o meio rural”, afirmou.
Entre as histórias reunidas na obra, uma das mais marcantes vem da região de Araxá, onde produtores enfrentaram momentos difíceis durante a ditadura militar. Na época, a fiscalização intensa e a repressão fizeram com que alguns queijeiros fossem confundidos com integrantes de grupos guerrilheiros. Mesmo diante das dificuldades, eles mantiveram viva a tradição familiar.
Na região da Mantiqueira de Minas, outro relato retrata a trajetória de um produtor conhecido como o último tropeiro da região. Há mais de 40 anos, ele percorre trilhas da serra conduzindo animais carregados de queijos, repetindo um caminho histórico que liga Minas Gerais ao Rio de Janeiro.
Para o presidente da Associação Mineira do Queijo Artesanal, José Ricardo Osório, as histórias reunidas no livro mostram a dimensão cultural da atividade. Segundo ele, a produção exige dedicação diária e representa um patrimônio que atravessa gerações.
“Talvez seja o único produto em que o produtor, todos os dias do ano, cuida de um patrimônio imaterial”, afirmou, ao lembrar que o modo de fazer o Queijo Minas Artesanal foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco.
Os dados também revelam a importância econômica da atividade. De acordo com a Emater-MG, Minas produziu, em 2025, cerca de 32,1 mil toneladas de queijos artesanais. Atualmente, aproximadamente 8,8 mil agroindústrias familiares estão envolvidas na produção.
O secretário de Estado de Agricultura, Thales Fernandes, destacou que o estado tem ampliado o reconhecimento das regiões produtoras.
“Entre 2002 e 2019, tínhamos apenas sete microrregiões caracterizadas. Hoje são 16 regiões. A Emater tem papel fundamental nesse avanço, com assistência técnica diretamente ao produtor”, disse.
O livro foi lançado na segunda-feira (2), em Belo Horizonte, durante cerimônia que reuniu produtores e autoridades, entre elas a secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega. A publicação contou com apoio do Sicoob Crediminas e será distribuída gratuitamente a pessoas e instituições ligadas à produção, pesquisa e valorização dos queijos artesanais.
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