Dados do SENAI MG apontam avanço na formação profissional feminina

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Em Minas Gerais, dados do SENAI mostram que mulheres já representam, em média, 26,7% das matrículas em cursos considerados tradicionalmente masculinos,. Foto: Divulgação/Fiemg.

Presença feminina cresce em cursos industriais tradicionalmente masculinos em Minas

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é mais do que uma data simbólica. O momento serve para refletir sobre os avanços conquistados pelas mulheres e também sobre os desafios que ainda persistem no mercado de trabalho.

Nos últimos anos, a presença feminina em áreas tradicionalmente dominadas por homens tem crescido, inclusive na formação profissional voltada à indústria. Em Minas Gerais, dados do SENAI mostram que mulheres já representam, em média, 26,7% das matrículas em cursos considerados tradicionalmente masculinos, como mecânica, eletromecânica, automação, soldagem e tecnologia da informação industrial.

Levantamento do SENAI Minas aponta crescimento expressivo da participação feminina em diferentes áreas desde 2023. Entre os destaques estão os cursos de manufatura, com aumento de 49% na presença de mulheres, além de alta de 35% nas áreas de operação e transporte, 25% em mineração e extração, 26,2% em eletrônica e automação, 24% em manutenção e operação e 21% em metalmecânica.

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Apesar do avanço, desafios ainda fazem parte da realidade de muitas profissionais. Desigualdade salarial, baixa representatividade em cargos de liderança e a sobrecarga da chamada dupla jornada continuam sendo obstáculos no ambiente de trabalho.

Segundo Lucimara Assis, coordenadora de Educação Profissional do SENAI MG, a instituição tem investido em iniciativas para ampliar a participação feminina na indústria.

Percebemos que cada vez mais as empresas têm procurado o SENAI para estruturar projetos e ações afirmativas voltadas à inclusão de mulheres no setor produtivo. Nosso objetivo é mostrar que a indústria é uma grande oportunidade de desenvolvimento profissional e de carreira”, afirma.

De acordo com a pesquisa de egressos do SENAI (ciclo 2023/2025), 72% das mulheres formadas pela instituição estão empregadas um ano após a conclusão do curso, com aumento médio de 24% na renda.

Mulheres pioneiras na indústria

A presença feminina também começa a ganhar espaço dentro das fábricas. Na empresa TSEA, duas jovens se tornaram as primeiras mulheres contratadas para atuar nas áreas de pintura e soldagem.

Uma delas é Kemelly Cristina Vieira, de 22 anos, que ingressou na empresa após participar do curso de aprendizagem do SENAI, com duração de dez meses.

“Comecei o curso aos 20 anos. Primeiro tivemos a parte teórica no SENAI e depois fomos para a prática dentro da indústria. Entrei como aprendiz e era a única mulher na equipe. Hoje tenho dois anos de experiência e já somos três mulheres na pintura”, conta.

Outra pioneira é Monique Oliveira, de 20 anos, primeira mulher da equipe de soldagem da empresa.

Fiquei surpresa quando fui selecionada para a área de solda. No início eu tinha medo, mas encarei o desafio. Sempre fui muito bem recebida pela equipe e confiaram no meu trabalho”, afirma.

Para Monique, ocupar esse espaço também ajuda a quebrar barreiras culturais que ainda associam determinadas profissões apenas aos homens.

“Ainda existe essa ideia de que algumas áreas são masculinas, mas cada vez mais as mulheres estão mostrando que têm capacidade para atuar em qualquer função”, diz.

Neste Dia Internacional da Mulher, especialistas reforçam que, além de celebrar conquistas, é fundamental ampliar iniciativas que promovam ambientes de trabalho mais diversos, inclusivos e igualitários.

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