Operação Caatinga Resiste identifica mais de 10 mil hectares de desmatamento ilegal no semiárido
A operação Caatinga Resiste, realizada entre os dias 9 e 19 de março de 2026, identificou 10.434 hectares de desmatamento ilegal no semiárido brasileiro, distribuídos em nove estados.
A ação contou com a atuação integrada de Ministérios Públicos, órgãos ambientais e forças policiais de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Em Minas Gerais, foram constatados 1.468,76 hectares de desmatamento ilegal — área equivalente a cerca de 1.400 campos de futebol — durante fiscalizações realizadas nos municípios de Gameleiras e Jaíba, no Norte do estado. Ao todo, 46 propriedades rurais foram vistoriadas, resultando na aplicação de mais de R$ 20 milhões em multas.
Além das sanções administrativas, a operação no estado resultou na prisão de uma pessoa e na apreensão de uma arma de fogo, aproximadamente 2.000 metros cúbicos de lenha (equivalente a cerca de 50 carretas) e 19 metros cúbicos de carvão vegetal.
No âmbito nacional, a operação fiscalizou 324 alertas de desmatamento identificados por monitoramento remoto via satélite. As ações já resultaram no embargo de 6.673 hectares e na aplicação de quase R$ 27 milhões em multas, atingindo cerca de 295 imóveis rurais.
Os estados com maior área de desmatamento identificada foram Pernambuco, Ceará e Piauí. As principais irregularidades envolvem a supressão de vegetação nativa sem autorização, inconsistências em registros ambientais, uso irregular do fogo e exploração ilegal de recursos naturais, como madeira, areia e minério.
A operação Caatinga Resiste é uma iniciativa da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), com coordenação nacional do Ministério Público de Sergipe. A ação utiliza dados de monitoramento por satélite e cruzamento de informações de bases oficiais para orientar as fiscalizações.
Considerada um bioma exclusivamente brasileiro, a Caatinga desempenha papel essencial na conservação da biodiversidade, na proteção dos recursos hídricos e no equilíbrio climático. Apesar de recente redução nos índices de desmatamento, os dados da operação indicam que a pressão sobre o bioma permanece elevada.
Os casos identificados poderão resultar na adoção de medidas extrajudiciais e judiciais para interrupção dos danos ambientais, reparação das áreas degradadas e responsabilização dos infratores.
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