Galo: Convocações e reflexões nas datas FIFA
Datas FIFA sempre revelam mais do que resultados: escancaram verdades. E, no caso do Galo, deixam no ar uma pergunta incômoda, afinal, o problema está nos jogadores ou em como eles são utilizados?
A seleção do Equador, vice-líder das Eliminatórias Sul-Americanas, é um bom exemplo. No empate em 1 a 1 contra o Marrocos, três jogadores do Atlético estiveram em campo, cada um desempenhando funções que, curiosamente, destoam do que fazem no clube.
Alan Franco, por exemplo, atuou como lateral-direito na seleção. No Galo, é volante, muitas vezes recuado, com funções mais contidas. A tal “versatilidade” que tanto se prega parece, na prática, mais um deslocamento constante do que uma virtude consolidada. Fica a dúvida: estamos potencializando ou descaracterizando o jogador?
Alan Minda, por sua vez, encontra na seleção seu habitat natural: o meio-campo, organizando e participando do jogo por dentro. Já no Atlético, ainda vive sob testes — aberto pela esquerda, recuado, improvisado como segundo volante. Pouco tempo, poucas oportunidades e muitas interrogações.
Preciado, que entrou apenas na segunda etapa, substituindo justamente Minda. Um nome que ainda paira no campo das incógnitas, sem sequência, sem definição, sem resposta.
Se no Equador há questionamentos, na Guiné surge uma esperança.
Mimady Cissé: aos 19 anos, vive o início de um capítulo promissor ao ser convocado pela primeira vez para a seleção principal. Soma-se a isso a renovação contratual no Galo. É talento em ebulição, resta saber se será lapidado ou desperdiçado.
Já pelo Paraguai, segue sendo o que sempre foi: segurança.
Júnior Alonso: Titular absoluto, atuou por 74 minutos na vitória sobre a Grécia. No Galo, mantém o nível. O problema, aqui, não é técnico, é físico. O desgaste é evidente, e a temporada cobra seu preço.
No fim das contas, o Atlético ostenta algo raro: um elenco amplamente convocado, espalhado por seleções sul-americanas. Mas isso, que deveria ser virtude, começa a levantar um debate necessário.
Todo brasileiro tem um pouco de técnico e talvez esteja na hora de exercer esse papel fora das arquibancadas. Sem “dar uma de professor”, mas já dando: cabe à Massa e à mídia questionarem o “Barba” e sua comissão.
Porque, em pleno andamento das competições, o Galo não pode ser um laboratório.
Ou pode?
Né não?
Afonso Canabrava
Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo, há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.
Instagram: @afonsocanabrava
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