Entidades cobram de vereadores secretaria para mulheres

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Alertam para adoecimento mental feminino em BH. Foto: Tatiana Francisca /CMBH.

Audiência na Câmara reúne sociedade civil, aponta fragilidade das políticas públicas

  alertam para adoecimento mental feminino em BH e reforça demanda por estrutura específica na Prefeitura

A ausência de uma secretaria municipal específica para políticas para mulheres e o avanço do adoecimento mental feminino marcaram a audiência pública realizada nesta quinta-feira (23), na Comissão de Mulheres da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

O encontro, solicitado pela vereadora Luiza Dulci (PT), reuniu representantes da sociedade civil e integrantes do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), que defenderam mais estrutura para políticas públicas e denunciaram limitações institucionais enfrentadas na capital.

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Entre as principais reivindicações apresentadas esteve a criação de uma secretaria dedicada exclusivamente às políticas para mulheres. A demanda foi reforçada por representantes do Movimento Popular da Mulher, que entregaram um abaixo-assinado em defesa da proposta.

Segundo Laura Farias, do movimento, Belo Horizonte é a única entre as dez maiores cidades do país que não possui uma estrutura específica para o tema. Ela criticou a falta de orçamento definido e considerou insuficiente a atual estrutura administrativa voltada à pauta.

“É uma vergonha Belo Horizonte não ter uma secretaria. Estamos inseridos em uma diretoria, dentro de uma subsecretaria, com apenas seis servidores em uma capital desse tamanho”, afirmou.

A ativista também cobrou mais transparência sobre a implantação da Casa da Mulher Brasileira e questionou a falta de informações sobre funcionamento e gestão do equipamento.

Durante a audiência, parlamentares que integram a comissão manifestaram apoio à pauta e defenderam articulação para pressionar por avanços institucionais.

Outro ponto central do debate foi o impacto da sobrecarga e da precarização do trabalho na saúde mental das mulheres. Representantes de entidades relataram crescimento de casos de ansiedade, depressão e esgotamento, especialmente entre trabalhadoras periféricas e profissionais submetidas a jornadas múltiplas.

Maria dos Santos Silva, da Associação Teresa de Benguela, destacou o agravamento da situação entre domésticas e diaristas e relacionou o cenário à precarização do trabalho.

Já Liliane Salum, do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro), chamou atenção para o aumento de doenças emocionais entre professoras.

As participantes também reforçaram o papel das organizações da sociedade civil no acolhimento e na promoção da autonomia de mulheres em situação de vulnerabilidade, além da necessidade de fortalecer equipamentos públicos e garantir continuidade de programas existentes.

Ao fim do encontro, foram definidos encaminhamentos como novas audiências públicas, visitas técnicas à Casa da Mulher Brasileira e à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, além de debate sobre o Plano de Equidade de Gênero da Prefeitura.

A próxima reunião da comissão está marcada para o dia 30 de abril, quando representantes do poder público devem apresentar ações voltadas às políticas para mulheres no município.

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