Procedimento experimental em Barbacena amplia perspectivas de recuperação após trauma medular grave
A aplicação foi realizada na terça-feira (23/6) por equipes do CHB em parceria com pesquisadores do Projeto Polilaminina, desenvolvido pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A substância experimental é estudada como potencial aliada na recuperação neurológica de pacientes com lesões na medula espinhal.
O tratamento integra um protocolo de uso compassivo autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), destinado a pacientes com quadros graves e sem alternativas terapêuticas equivalentes disponíveis.
Após o acidente, Geovani foi encaminhado ao CHB, onde passou por cirurgia no domingo (21/6). A partir da avaliação médica e do enquadramento nos critérios exigidos pelo protocolo, a equipe providenciou toda a documentação necessária para viabilizar rapidamente a aplicação da substância.
Segundo o ortopedista e cirurgião de coluna Renato Guimarães, do CHB, o procedimento representa um marco para a instituição e para o atendimento público de alta complexidade.
“Conseguimos propor a um paciente internado em um hospital 100% SUS a participação no protocolo de uso compassivo da polilaminina. Trata-se de uma proteína estudada pela capacidade de estimular a regeneração nervosa e ampliar as possibilidades de recuperação neurológica e qualidade de vida”, afirma.
A polilaminina é uma versão otimizada da laminina, proteína naturalmente presente no organismo e essencial para o desenvolvimento das células nervosas. Os pesquisadores investigam sua capacidade de reduzir processos inflamatórios e favorecer a reconexão das estruturas nervosas lesionadas, funcionando como um suporte biológico para orientar o crescimento dos axônios.
De acordo com o neurocirurgião Bruno Cortes, integrante do projeto, os resultados ainda estão em fase de avaliação científica.
“O objetivo é favorecer a regeneração neuronal e criar condições para uma recuperação funcional maior do que a observada naturalmente. Não existe garantia de reversão da lesão, mas buscamos ampliar as perspectivas de ganho neurológico e qualidade de vida”, explica.
Apesar da aplicação da substância, especialistas ressaltam que a fisioterapia continua sendo fundamental para estimular a recuperação funcional e potencializar os resultados do tratamento.
Para a diretora assistencial do Complexo Hospitalar de Barbacena, Vivian Miranda, a iniciativa reforça o compromisso da unidade com a inovação e a excelência assistencial.
“A aplicação de polilaminina consolida o compromisso do hospital com a assistência de alta complexidade, a inovação e a busca contínua pela excelência e segurança do paciente. Esse resultado só foi possível graças ao empenho de uma equipe multiprofissional altamente qualificada”, destaca.
A mãe de Geovani, Vera Canton, ressaltou o acolhimento recebido pela família durante a internação. “Desde que ele chegou ao hospital foi muito bem atendido. Os profissionais explicaram a gravidade da lesão e todos os procedimentos que seriam realizados. Estou confiante e muito grata a toda a equipe”, relata.
O deslocamento dos profissionais responsáveis pela aplicação contou com apoio aéreo do Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, reforçando a integração entre os órgãos envolvidos na assistência pública de saúde.
O procedimento abre novas perspectivas para pacientes com lesões medulares graves e coloca a Fhemig entre as instituições que participam de iniciativas inovadoras voltadas à recuperação neurológica e à melhoria da qualidade de vida dos pacientes.
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