Pequenas empresas terão de avaliar novo modelo tributário

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Decisão poderá interferir em preços, competitividade e relações comerciais. Foto: José Cruz/Agência Brasil.

Decisão sobre o Simples poderá afetar preços e competitividade em 2027

Empresas de pequeno porte precisarão avaliar, até setembro, qual regime tributário será mais adequado diante das mudanças previstas pela Reforma Tributária, que começa a ser implementada em 2027. A decisão poderá influenciar não apenas a carga de impostos, mas também preços, competitividade e relações comerciais.

De acordo com a analista tributária da FIEMG, Flavia Sales Campos Vale, os empresários terão três possibilidades principais: permanecer no Simples Nacional tradicional; adotar um modelo híbrido, mantendo o Simples para os demais tributos e recolhendo IBS e CBS pelo regime regular; ou migrar integralmente para o novo sistema.

Segundo a especialista, a escolha deverá considerar o funcionamento de cada negócio e sua posição na cadeia produtiva.

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“A escolha do regime tributário passa a ter efeitos sobre geração de créditos, formação de preços, relacionamento comercial e posicionamento da empresa dentro das cadeias produtivas”, afirmou.

Impacto varia conforme o perfil da empresa

Empresas que comercializam diretamente com o consumidor final tendem a sentir menos os efeitos relacionados à geração de créditos tributários. Já aquelas que fornecem produtos ou serviços para outras empresas podem sofrer maior pressão de clientes interessados em aproveitar integralmente os créditos de IBS e CBS.

Nesse contexto, o modelo híbrido pode funcionar como uma alternativa para determinados negócios. A modalidade permite que a empresa continue no Simples Nacional, mas recolha IBS e CBS pelo regime regular, possibilitando a geração de créditos integrais para seus clientes.

A possibilidade de permanecer no Simples Nacional e recolher IBS e CBS pelo regime regular permite que a empresa mantenha parte da simplificação do Simples, ao mesmo tempo em que gera créditos integrais para os clientes”, explicou Vale.

A analista da FIEMG alerta que a permanência no Simples tradicional pode representar perda de competitividade em alguns segmentos, especialmente na indústria e em cadeias produtivas mais extensas.

Decisão deve considerar clientes e fornecedores

A análise não deve se limitar à comparação entre as alíquotas ou à carga tributária. Dependendo do setor, empresas poderão precisar rever preços para preservar sua competitividade ou enfrentar dificuldades para manter clientes que deem preferência a fornecedores capazes de gerar maior volume de créditos fiscais.

Por isso, a orientação é que os empresários antecipem os estudos e avaliem os possíveis impactos de cada opção antes de tomar uma decisão.

A FIEMG recomenda a realização de simulações, a comparação entre os regimes e a análise do perfil de clientes e fornecedores. Também é importante considerar a posição da empresa na cadeia produtiva e os efeitos que a escolha poderá provocar na formação de preços e nas negociações comerciais.

“Mais do que uma decisão fiscal, o enquadramento tributário passa a ser uma decisão estratégica de negócio”, concluiu Flavia Sales Campos Vale.

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