Depois dos 50, o amor não é para amadores

O amor não é para amadoresO amor não é para amadores
Depois dos 50, o amor não é para amadores. Foto: Chatgpt.

Canabrava fora de campo

Depois dos 50, ninguém entra num relacionamento de mãos vazias. Entra com passado, cicatrizes, ex-amores, filhos, boletos, manias e uma respeitável coleção de erros que jurou nunca mais cometer.
E alguns continuam cometendo.

Aos 20, bastava estar apaixonado.

Depois dos 50, a pergunta é mais prática:

Publicidade

“Essa pessoa vai melhorar minha vida ou acabar com o pouco juízo que me restou?”

E aparece o ciúme.

Um pouquinho até faz bem. Dá aquela massageada no ego e mostra que ainda existe interesse.

O problema é quando o ciúme vira profissão.

— Quem é aquela?

— Por que você curtiu a foto dela?

— Onde você estava?

— Com quem?

— Me dá esse celular!

Pronto.

Acabou o romance. Começou a CPI.

Mas existe outro assunto que exige menos piada e mais compreensão: a menopausa.

Os hormônios resolvem fazer uma revolução. O sono muda, o calor aparece sem convite, o humor oscila e a libido, às vezes, simplesmente desaparece.

E o homem, que já não entende mulher em condições normais, diante disso fica completamente perdido.

Ela diz:

— Estou cansada.

Ele pensa: “Ela não me quer mais.”

Ela diz:

— Quero dormir.

Ele pensa: “Tem outro.”

Ela diz:

— Quero ficar sozinha.

Ele pergunta:

— O que foi que eu fiz?

Pronto.

Começou a Terceira Guerra Mundial.

Só que o homem também envelhece.

Não adianta exigir da mulher o corpo e a disposição dos 25 anos quando ele próprio já precisa negociar com a testosterona para sair ou entrar da cama.

A recuperação de alguns chopes tomados virou assunto para pedir moderação.

Mas ele continua se achando um garanhão.

Tenha dó!

A verdade é que o corpo muda. O desejo muda. O sexo muda.

E isso não significa que o amor acabou.

Depois dos 50, o sexo pode ter menos pressa e mais intimidade. Menos obrigação e mais vontade.

Sexo não é exame de vestibular.

Ninguém precisa provar nada.

E relacionamento também não é cadeia.

Não fiscalize celular.

Não transforme curtida em adultério.

Não use sexo como arma.

Não faça greve de carinho.

E, principalmente, aprenda a hora de calar a boca se a discursão é por simples lugar de estacionar.

Porque certas discussões não precisam de vencedor.

Precisam apenas terminar.

Depois dos 50, talvez a maior prova de amor seja permitir que o outro continue sendo uma pessoa inteira: com amigos, interesses, defeitos, silêncios e alguma liberdade.

No fim, amor maduro não é dizer:

“Eu não vivo sem você.”

É dizer:

“Eu consigo viver sozinho. Mas, entre viver sozinho e viver com você, eu ainda escolho você.”

Isso é amor depois dos 50.
Não é posse.

Não é dependência.

É escolha.

É cumplicidade.

É amizade.

É desejo.

É paciência.

E, principalmente, é saber rir.

Porque, nessa idade, encontrar alguém que conheça seus defeitos, aguente suas manias, sobreviva aos seus roncos e ainda queira dormir ao seu lado…

não é namoro.

É patrimônio histórico.

Afonso Canabrava

Canabrava é jornalista desde o tempo do jornal O Sol, distribuído como suplentento do Jornal dos Sports. É uma enciclopédia viva da história de Belo Horizonte e um descobridor de assuntos interessantes.

  • As opiniões contidas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

Leia também:

Mulheres cuidado! Canabrava fora de campo

Compartilhar:WhatsApp

Mantenha-se atualizado com as notícias mais importantes

Ao pressionar o botão Inscrever-se, você confirma que leu e concorda com nossos Termos de Uso e as nossas Políticas de Privacidade
Share this