A presbiopia, popularmente conhecida como “vista cansada”, é uma condição natural do envelhecimento ocular que afeta a capacidade de enxergar de perto.
Esse problema costuma surgir a partir dos 40 anos, quando o cristalino, que é a lente natural do olho, perde elasticidade, dificultando o foco em objetos próximos.
Segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a presbiopia afeta aproximadamente 39 milhões de brasileiros.
Entre os sintomas mais comuns que percebemos no consultório estão a dificuldade para ler letras pequenas e a fadiga ocular ao final do dia. Dor de cabeça, ardência e vermelhidão nos olhos também indicam o início da presbiopia e não devem ser ignorados.
A correção da presbiopia consiste no uso de óculos de leitura, lentes bifocais ou multifocais. Mas os avanços da oftalmologia têm ampliado as possibilidades de tratamento com alternativas mais duradouras e com maior independência em relação às lentes corretivas.
Entre os recursos cirúrgicos, destacam-se técnicas a laser como o LASIK e o PRK, que podem ser adaptadas para o tratamento da presbiopia por meio da estratégia de monovisão.
Neste caso, um olho é ajustado para visão de perto e o outro para visão de longe. Outras alternativas incluem implantes de lentes intraoculares multifocais ou e, em alguns casos, implantes corneanos (inlays) – pequenas lentes inseridas na córnea que ampliam a profundidade de foco.
A escolha do método mais adequado depende de fatores como idade, grau da presbiopia, saúde ocular e expectativas do paciente.
Essas cirurgias apresentam alto índice de satisfação, mas requerem avaliação individualizada e acompanhamento pós-operatório criterioso para garantir segurança e bons resultados.
É importante destacar que a progressão da presbiopia pode ser acelerada por fatores como predisposição genética, exposição à luz ultravioleta, uso excessivo de dispositivos eletrônicos, doenças sistêmicas, hábitos de vida prejudiciais e cirurgias oculares prévias. Esses elementos, somados ao envelhecimento natural dos olhos, tornam os sintomas mais evidentes e precoces.
Além das opções cirúrgicas, um novo tratamento inovador acaba de ser aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. Trata-se do colírio Vizz, à base de aceclidina 1,44%, que restaura a visão de perto por até 10 horas com apenas uma aplicação diária.
O medicamento provoca contração seletiva da pupila aumentando a profundidade de foco sem prejudicar a visão à distância ou causar desvio miópico. Nos Estados Unidos, o colírio estará disponível a partir de outubro de 2025, com lançamento comercial previsto para o final do ano. No Brasil, ainda não há previsão para aprovação pela Anvisa.
Com o avanço das técnicas cirúrgicas e o surgimento de terapias farmacológicas inovadoras, a presbiopia deixa de ser um limite inevitável da visão para se tornar uma condição cada vez mais controlável, oferecendo tratamentos personalizados que conciliam eficácia, segurança e qualidade de vida.
Dr. Leonardo Gontijo – Diretor clínico do Instituto de Olhos Minas Gerais (IOMG)
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