Câmara aprova PEC da Blindagem em dois turnos

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PEC segue para análise no Senado Federal, onde precisa de aprovação em dois turnos com o voto de 49 dos 81 senadores. Foto: Lula Marques/Agência Br.

Aprovação em votação rápida

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira (16), em Brasília, a PEC da Blindagem (PEC 3/2021), que dificulta o andamento de processos criminais contra deputados e senadores e pode barrar até mandados de prisão.

A proposta foi votada em dois turnos no mesmo dia, após requerimento que dispensou o intervalo regimental de cinco sessões.

No primeiro turno, o texto obteve 353 votos favoráveis, 134 contrários e uma abstenção.

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No segundo turno, foram 344 votos a favor e 133 contra.

O que muda com a PEC

A proposta determina que a abertura de ação penal contra parlamentar só poderá ocorrer com autorização prévia da maioria absoluta da Casa respectiva, em votação secreta. Além disso, segundo a Agência Brasil, amplia o foro privilegiado para presidentes de partidos com representação no Congresso, garantindo que sejam julgados exclusivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Todos os destaques que tentavam alterar o texto, incluindo a exclusão desse foro especial, foram rejeitados.

Articulação política

A PEC foi articulada pela maioria dos líderes da Câmara, com apoio da oposição liderada pelo PL. O PT orientou voto contrário, mas 12 deputados da legenda votaram a favor no primeiro turno. Outras legendas, como PSB, PSD e PDT, também registraram apoio, mesmo integrando a base governista.

Segundo o relator Claudio Cajado (PP-BA), a proposta “não é uma licença para abusos”, mas um escudo protetivo contra perseguições políticas. “É uma defesa da soberania do voto e do Parlamento brasileiro”, afirmou.

Regras para prisão

O texto estabelece que parlamentares não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesses casos, a prisão precisará ser analisada pela Casa Legislativa em até 24 horas, também em votação secreta, podendo ser suspensa por maioria simples dos presentes.

Repercussão no Senado

Agora, a PEC segue para análise no Senado Federal, onde precisa de aprovação em dois turnos com o voto de 49 dos 81 senadores. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), já manifestou contrariedade:

“A repulsa à PEC da Blindagem está estampada nos olhos surpresos do povo, mas a Câmara se esforça a não enxergar”, afirmou nas redes sociais.

Críticas à proposta

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) criticou duramente a medida, classificando-a como “desmoralização do Parlamento brasileiro” e acusando o Congresso de tentar anular a atuação do Judiciário.

Já defensores sustentam que a PEC apenas restabelece prerrogativas previstas na Constituição de 1988, enfraquecidas ao longo dos anos, e reforçam que o voto secreto protege a liberdade de decisão dos parlamentares.

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