Cadeia automotiva e competitividade também na pauta
Representantes da indústria automotiva, sindicatos, empresas e especialistas participaram, na última quinta-feira (3), em Belo Horizonte, do encontro “Cadeia Automotiva Mineira: Potencialidades, Desafios e Perspectivas para a Competitividade”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).
O objetivo foi debater os principais desafios enfrentados pelo setor e discutir estratégias para ampliar a competitividade da cadeia produtiva em Minas Gerais e no Brasil.
Na abertura do evento, o presidente em exercício da FIEMG, Fábio Sacioto, ressaltou a importância de integrar os diversos segmentos da cadeia automotiva na construção de soluções para o setor.
“Não se trata apenas de defender o mercado e os interesses da indústria, mas também de buscar ações capazes de reduzir os impactos provocados pelo aumento dos custos e fortalecer a competitividade das empresas”, afirmou.
O presidente da Câmara da Indústria Automotiva e Mobilidade da FIEMG, Márcio de Lima Leite, apresentou um panorama do setor e alertou para o crescimento das importações, especialmente de produtos chineses, e para a diferença entre a expansão do mercado interno e a produção nacional.
Segundo Leite, esse é um dos momentos mais desafiadores da história da indústria automobilística brasileira. Apesar do cenário, ele acredita que o Brasil continuará sendo um importante produtor de veículos, desde que haja políticas capazes de garantir que o crescimento do mercado resulte em maior produção nacional, geração de empregos e fortalecimento da cadeia produtiva.
O dirigente também defendeu maior integração entre montadoras, fabricantes de autopeças, indústria do aço, sindicatos e trabalhadores para enfrentar o atual cenário econômico.
Durante a programação, o economista-chefe da FIEMG, João Pio, apresentou um estudo técnico que avalia possíveis medidas de estímulo ao setor de peças e acessórios automotivos. O levantamento simula a adoção de uma tarifa adicional de importação vinculada ao conteúdo metalúrgico incorporado na fabricação de peças, combinada a uma estratégia de desoneração da cadeia produtiva.
De acordo com o economista, as simulações indicam que medidas estruturadas podem gerar impactos positivos sobre a produção industrial, a geração de empregos, a massa salarial, a arrecadação e diversos segmentos ligados à cadeia automotiva, como fabricantes de peças, transporte, indústria da borracha e produção de aço.
Para João Pio, a combinação entre instrumentos de proteção à indústria e mecanismos de desoneração pode contribuir para aumentar a competitividade do setor e fortalecer a produção nacional.
O encontro reforçou a necessidade de articulação entre os diferentes elos da cadeia automotiva para enfrentar o avanço das importações, estimular investimentos e ampliar a participação da indústria brasileira no crescimento do mercado de veículos.

