Câmara de BH debate avanço do antissemitismo

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O aumento dos casos de antissemitismo no Brasil, especialmente no ambiente escolar. Foto: Rafaella Ribeiro- CMBH.

E propõe criação de Semana Municipal de Combate

Audiência Pública Debate Crescente Antissemitismo nas Escolas e Propõe Semana Municipal de Combate em BH
Parlamentares, educadores e representantes da comunidade judaica discutem aumento de discursos de ódio e sugerem ações de conscientização e punição a práticas discriminatórias.

O aumento dos casos de antissemitismo no Brasil, especialmente no ambiente escolar, motivou a realização de uma audiência pública ontem, quarta-feira (22/10), promovida pela Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

O encontro, proposto pelo vereador Irlan Melo (Republicanos), reuniu representantes da comunidade judaica, educadores e especialistas para discutir medidas de prevenção e enfrentamento à intolerância religiosa. Segundo dados da Confederação Israelita do Brasil (Conib), as denúncias de antissemitismo aumentaram 350% entre 2022 e 2024, impulsionadas pela repercussão da guerra entre Israel e o grupo Hamas, iniciada em outubro de 2023.

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“Nos últimos meses, o agravamento do conflito na Faixa de Gaza repercutiu no Brasil e chegou ao cotidiano das escolas, dos espaços culturais e das comunidades judaicas e israelitas. Precisamos tratar o tema com seriedade e propor ações concretas de educação e conscientização”, afirmou o parlamentar.

Memória, Educação e Ações Concretas

Entre os participantes, o presidente da Associação Israelita de Minas Gerais, Paulo Dicker, destacou que, mesmo passadas décadas desde o Holocausto, o preconceito e a intolerância persistem. “O antissemitismo nunca desapareceu, apenas foi legitimado após o 7 de outubro de 2023. O que vemos é um discurso de ódio travestido de posicionamento político”, lamentou.

O conselheiro da Federação Israelita de Minas Gerais, Natan Rozenbaum, relatou experiências pessoais de preconceito e comparou a situação atual com os tempos de sua infância. “Na juventude, achávamos que o ódio havia ficado para trás. Hoje, infelizmente, ele volta a crescer de forma preocupante”, disse.

O coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba, Carlos Reiss, ressaltou a importância do letramento sobre o antissemitismo nas escolas. Para ele, compreender as diferentes formas que o preconceito assume é fundamental para combatê-lo. “O antissemitismo é plural: vem de diferentes espectros políticos e contextos culturais. A educação é o caminho mais eficaz para desarmar esse tipo de mentalidade”, afirmou.

Propostas e Encaminhamentos

Durante a audiência, foram apresentadas sugestões práticas de enfrentamento à intolerância.

Entre elas:

  • Adoção da definição internacional de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) por instituições públicas e privadas;
  • Criação de um Observatório Municipal de Combate ao Antissemitismo;
  • Implementação da Semana Municipal de Educação sobre o Holocausto, com atividades pedagógicas e oficinas de formação;
  • Inclusão do tema da liberdade religiosa e diversidade cultural no currículo escolar.

O vereador Irlan Melo anunciou que pretende propor alterações na Lei 11.713/2024, que já proíbe a apologia a grupos extremistas e atos de terrorismo, para incluir a “Semana Municipal de Combate ao Antissemitismo” e a cassação do alvará de empresas que pratiquem atos discriminatórios.

O parlamentar também sugeriu diálogo com a Secretaria Municipal de Educação, para incorporar às escolas de Belo Horizonte o programa Com Viver, do Governo de Minas, que capacita educadores na prevenção de violências e no fortalecimento de uma cultura de paz.

“Educar para o respeito e punir quem insiste no preconceito são passos essenciais para garantir a convivência democrática e a proteção das liberdades individuais”, concluiu Melo.

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