Setor movimenta R$ 400 milhões
A Aliança Brasileira da Pirotecnia — iniciativa formada pela Associação Master dos Empresários da Pirotecnia (AME Pirotecnia) e pela Associação Brasileira de Pirotecnia (ASSOBRAPI) — lançou um portal com informações detalhadas sobre o setor de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos no país.
A plataforma, disponível no site pirotecniabrasileira.com.br, reúne dados técnicos, estudos, estatísticas e conteúdos voltados a esclarecer a atuação da cadeia produtiva.
Segundo o coordenador nacional da Aliança, Guilherme Santos, o objetivo principal é desmistificar informações distorcidas e combater fake news sobre a atividade, além de evidenciar sua relevância econômica, cultural e social. “A despeito de sua importância, o setor brasileiro de fogos de artifício tem sido constantemente ameaçado pela propagação de informações errôneas e pelas tentativas de proibição da fabricação e comercialização destes artefatos”, afirma.
Santos destaca que a proibição não resolveria eventuais problemas relacionados ao uso dos fogos; ao contrário, poderia empurrar a atividade para a clandestinidade, reduzindo o controle público e ampliando riscos. Ele cita como exemplo a explosão recente de um depósito irregular em São Paulo, lembrando que empresas legalizadas passam por rigorosa fiscalização em todas as etapas: produção, armazenamento, transporte, comercialização e queima.
A Aliança também reforça abertura ao diálogo e ao aprimoramento contínuo. “Estamos abertos a construir soluções inteligentes e baseadas em evidências. Para isso, nada melhor que a transparência e o acesso a informações confiáveis”, completa Santos.
Setor movimenta R$ 400 milhões e emprega mais de 15 mil pessoas
Dados da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), baseados em estudo de 2019, indicam que o setor movimenta mais de R$ 400 milhões por ano no Brasil e emprega mais de 15 mil pessoas apenas na indústria.
O principal polo produtor está localizado em Minas Gerais, nas cidades de Santo Antônio do Monte, Lagoa da Prata, Japaraíba, Pedra do Indaiá e Moema, onde funcionam cerca de 60 fábricas.
O varejo também tem forte participação: segundo o IBGE, aproximadamente 4 mil empresas comercializam produtos pirotécnicos em todos os estados, somando um capital social superior a R$ 10 bilhões.
Para o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, o setor brasileiro se destaca pela criatividade, inovação e qualidade. Ele lembra ainda que o SENAI-MG abriga o único centro tecnológico especializado em fogos de artifício da América Latina, responsável por capacitação, testes e desenvolvimento tecnológico.
Importância cultural e impacto no turismo
Os espetáculos pirotécnicos fazem parte da tradição mundial há séculos. Pesquisas citadas no portal lembram que a arte surgiu por volta do século IX, possivelmente na China ou na Índia, e ganhou força na Europa a partir do século XIV. No Brasil, registros históricos apontam que já em 1808, com a chegada da Família Real, os fogos eram utilizados em celebrações, incluindo o casamento de Dom Pedro I com Dona Leopoldina.
Hoje, os espetáculos pirotécnicos são parte fundamental de festas populares e eventos turísticos, como o Réveillon e os festejos juninos, movimentando diversos segmentos da economia, incluindo hotelaria, gastronomia e entretenimento.
Setor investe em ações para reduzir impactos sobre autistas e animais
Em resposta a demandas sociais, entidades da pirotecnia têm investido em iniciativas para reduzir o impacto sonoro sobre pessoas autistas e animais domésticos. Uma delas é a parceria entre a Aliança Brasileira da Pirotecniahttps://pirotecniabrasileira.com.br/ e a Associação Brasileira de Autismo e Deficiência Intelectual (ABRADI), responsável pela distribuição de 17 mil abafadores auriculares para crianças com TEA em diversos estados. Os dispositivos também podem ser utilizados em pets sensíveis ao barulho.
Percepção da população
Uma pesquisa nacional realizada em julho de 2024 com 2.005 entrevistados, encomendada pelo Sebrae e pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL), mostra que 60% dos brasileiros gostam de assistir a espetáculos pirotécnicos, enquanto apenas 20% defendem uma regulamentação que resulte na proibição total da produção e comercialização de fogos.
O novo portal da Aliança reúne esses e outros dados, além de estudos sobre acústica, impactos sonoros, depoimentos de especialistas e análises sobre segurança e regulamentação.
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