Etarismo é tema de debate na Câmara Municipal de BH

Etarismo na pauta da Camara de BH nesta segunda Balcao News 11 10 24 Etarismo na pauta da Camara de BH nesta segunda Balcao News 11 10 24
Outro destaque da pauta é a criação do Programa Farmácia Viva, que inclui plantas medicinais e fitoterápicos como tratamento nas Unidades Básicas de Saúde. Foto: Bárbara Crepaldi/CMBH.

O presidente Gabriel Sousa Marques de Azevedo (MDB) convocou os vereadores para duas reuniões extraordinárias, nesta segunda-feira, e, amanhã, terça-feira, às 9h, com o objetivo de votar 33 projetos de lei e um projeto de resolução.

.A defesa dos direitos dos idosos e o combate ao etarismo – forma de discriminação, exclusão, restrição ou preferência baseada na idade em razão da juventude ou velhice – são temas de projetos de lei que devem ser votados em Plenário na próxima semana.  Entre os destaques estão também o PL que a obriga a disponibilidade de fraldários em locais de grande movimento; a criação do Programa Farmácia Viva, que inclui plantas medicinais e fitoterápicos como tratamento nas Unidades Básicas de Saúde; projetos de inclusão de pessoas com deficiência; e proposta que declara o valor histórico e cultural dos blocos caricatos de Belo Horizonte.

Podem ser votados 24 projetos de lei em 1º turno, nove em 2º e um projeto de resolução em turno único.

De autoria de Wilsinho da Tabu (Pode), o PL 826/2024 dispõe sobre diretrizes que objetivam promover a igualdade de oportunidades e tratamento entre as diferentes faixas etárias e lutar contra qualquer forma de discriminação baseada na idade. A proposição proíbe a inclusão de restrições a faixas etárias em anúncios de emprego, exceto quando comprovadamente necessário para o desempenho das funções, bem como a acessibilidade de programas de treinamento e capacitação profissional a todas as idades, garantindo igualdade de oportunidades.

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O PL, que tramita em 2º turno e recebeu duas emendas, precisa do voto da maioria dos presentes para ser aprovado.

Buscando ampliar a rede  de proteção à população da terceira idade, o PL 891/2024 busca instituir os Conselhos Municipais do Cuidado e da Defesa da Pessoa Idosa, que serão encarregados de zelar pelo cumprimento dos direitos e coibir a violência contra essa população. Proposto pelo Executivo, o projeto prevê a criação de uma unidade do Conselho por região administrativa, composto por cinco membros, pelo prazo de dois anos. A proposição precisa de pelo menos 21 votos favoráveis para ir a 2º turno, quando também devem ser apreciadas duas emendas.

Acessibilidade

O PL 905/2024, proposto por Marcela Trópia (Novo) e Irlan Melo (Republicanos), altera a Lei 11.416/2022, que trata da inclusão da pessoa com deficiência e da pessoa com mobilidade reduzida. A proposta exige que estabelecimentos públicos e privados de grande circulação disponibilizem trocadores em locais acessíveis e reservados para a troca de fraldas de pessoas com deficiência e idosos. Além disso, o projeto determina que os fraldários devem contar com lavatório, bacia sanitária acessível e uma superfície segura para a troca de fraldas e roupas na posição horizontal. Para seguir para a sanção do Executivo, a proposta precisa de pelo menos 21 votos favoráveis.

Plantas medicinais no SUS

Dr. Bruno Pedralva (PT), Cida Falabella (Psol), Iza Lourença (Psol) e Pedro Patrus (PT) assinam o PL 831/2024, que pretende implantar o Programa Farmácia Viva em Belo Horizonte. O objetivo é incluir o uso de plantas medicinais e fitoterápicos (remédios feitos à base dessas plantas) nas Unidades Básicas de Saúde.

Segundo os autores do projeto, as plantas medicinais já são utilizadas na atenção primária em diversos países e podem ser uma alternativa eficaz e de baixo custo para o tratamento de doenças comuns, com impacto sócio-comunitário positivo. O PL recebeu uma emenda e uma subemenda e necessita do voto favorável da maioria dos membros da Câmara para ser aprovado em definitivo.

PCDs

Atletas surdos podem passar a receber o benefício do Programa Bolsa Atleta, concedido pelo município de Belo Horizonte. Esse é o objetivo do PL 962/2024, assinado por Professora Marli (PL). A proposta altera a Lei 10.500/2012, que instituiu o direito. A proposição também determina que os beneficiados que conquistarem medalhas em Jogos Olímpicos, Paralímpicos ou Surdolímpicos serão indicados automaticamente para renovação das respectivas bolsas. Outro dispositivo acrescentado é o direito ao acompanhamento de um intérprete de Libras durante os processos seletivos e nas competições em que o atleta representar o município, sem custos para o esportista. O PL recebeu uma emenda e precisa de 21 votos em Plenário para ser aprovado em 1º turno.

Outra proposição no campo da inclusão de pessoas com deficiência, o PL 872/2024, que pode ser votado em 1º turno, busca instituir a “Política Municipal de Proteção dos Direitos da Pessoa com Fibromialgia”. A doença não é contemplada pelo rol de pessoas com deficiência elencado na legislação federal, o que significa que belo-horizontinos com essa condição não podem usufruir dos mesmos direitos concedidos a outros PCDs. Loíde Gonçalves (MDB), que assina a proposta, afirma que a enfermidade “implica severas restrições à existência digna dos pacientes” e que é imperativo que seja reconhecida a gravidade da fibromialgia e que o poder público crie ações afirmativas para mitigar as consequências da doença. Para tramitar em 2º turno, o PL precisa de pelo menos 28 votos favoráveis.

Além desses, outros dois PLs buscam assegurar direitos a pessoas com deficiência. O PL 865/2024, de Ciro Pereira (Republicanos), que reconhece a visão monocular como deficiência visual; e o PL 977/2024, de Professora Marli, que institui o cordão com desenho de caricatura de mãos como símbolo de identificação de pessoa com doença rara. Ambos precisam do voto da maioria dos presentes para serem aprovados em 2º e 1º turno, respectivamente.

Blocos caricatos

O valor histórico e cultural dos blocos caricatos de Carnaval, enquanto manifestação de natureza imaterial e origem belo-horizontina, é tema do PL 970/2024, de autoria de Professora Marli, Cida Falabella, Marcela Trópia e Pedro Patrus. Os blocos caricatos são agremiações carnavalescas em que os ritmistas desfilam na carroceria de um caminhão, devidamente pintados ou uniformizados com cores características.

Segundo justificativa do PL, o início desses blocos data de 1897, antes mesmo da inauguração de Belo Horizonte, ainda no antigo arraial Curral Del Rei. Atualmente, nove blocos seguem cadastrados para integrar a programação oficial do Carnaval de Belo Horizonte. O PL precisa de 21 votos para ser aprovado e tramitar em 2º turno.

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