Jornalismo profissional é apontado como principal defesa contra a desinformação

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Painel reuniu profissionais para discutir os impactos das novas tecnologias na produção e no consumo de informações. Foto: Tatiana Francisca/CMBH.

Debate aconteceu em seminário da CMBH

Em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial, pela disseminação acelerada de conteúdos nas redes sociais e pela polarização política, jornalistas e especialistas defenderam a importância da apuração rigorosa e da ética como pilares do jornalismo. O debate ocorreu na manhã de ontem, quinta-feira (23), durante o III Seminário de Comunicação Pública: Estratégia, Inteligência Artificial e Democracia em Ano Eleitoral, promovido pela Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH).

Com o tema “O que é notícia? A imprensa e os desafios da confiança na era digital”, o painel reuniu profissionais de diferentes veículos de comunicação para discutir os impactos das novas tecnologias na produção e no consumo de informações. Participaram do encontro os jornalistas Edson Costa, da Rádio Itatiaia; Hermano Chiodi, do jornal O Tempo; Lucas Ragazzi, do portal O Fator; e Paulo Leite, da Rádio 98 FM. A mediação foi realizada por Izabela Moreira Maurício, chefe da Divisão de Jornalismo e Divulgação da Câmara.

Durante a abertura, Izabela destacou a relevância de promover a discussão em um espaço simbólico como o Plenário Amintas de Barros, onde são debatidos temas de interesse da população. Segundo ela, o momento reforça a necessidade de valorizar a comunicação institucional e o papel do jornalismo profissional diante do crescimento da desinformação.

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A discussão sobre o que é notícia torna-se cada vez mais urgente. Precisamos refletir sobre o que diferencia a informação jornalística de um rumor, de uma publicação nas redes sociais ou de um conteúdo produzido por inteligência artificial”, observou.

Para Edson Costa, a velocidade continua sendo uma das marcas do rádio, mas não pode prevalecer sobre o interesse coletivo. O jornalista afirmou que é cada vez mais comum a tentativa de transformar disputas políticas em fatos de repercussão midiática.

Segundo ele, o principal filtro adotado pelas redações deve ser o impacto da informação na vida da população.

A importância da apuração

O jornalista Lucas Ragazzi destacou que um dos maiores desafios da cobertura política é compreender os interesses das fontes e evitar que o trabalho jornalístico seja utilizado como instrumento de disputas.

Para ele, a checagem das informações continua sendo uma etapa indispensável do processo jornalístico. “É necessário confirmar dados, ouvir diferentes versões e entender os interesses envolvidos. Esse trabalho exige tempo, mas é essencial para garantir credibilidade”, ressaltou.

Hermano Chiodi reforçou a avaliação e afirmou que a confiança do público é construída justamente pela responsabilidade na apuração dos fatos. Segundo ele, a busca pela velocidade não pode comprometer a qualidade da informação.

Inteligência artificial e deepfakes

O impacto da inteligência artificial na criação de conteúdos falsos e de deepfakes também foi tema do debate. Hermano Chiodi observou que as mesmas ferramentas tecnológicas capazes de gerar desinformação podem ser utilizadas para identificá-la.

Na avaliação dos participantes, a tecnologia deve atuar como aliada das redações, contribuindo para otimizar processos, mas sem substituir princípios fundamentais do jornalismo, como ética, transparência e responsabilidade.

“Checagem é método”

Ao abordar os desafios para manter a confiança do público em um ambiente marcado pela polarização, Paulo Leite destacou que a checagem de fatos deve ser entendida como um procedimento técnico.

“Checagem não é opinião, é método. O compromisso do jornalismo precisa estar baseado em evidências, documentos e informações oficiais”, afirmou.

O jornalista também alertou para os riscos de transformar a informação em entretenimento e reforçou a necessidade de preservar a independência editorial.

Comunicação institucional

Encerrando o painel, Izabela Moreira destacou que a Superintendência de Comunicação Institucional da Câmara Municipal de Belo Horizonte segue critérios técnicos e normas específicas para garantir a imparcialidade na cobertura das atividades legislativas.

Segundo ela, a separação entre a divulgação institucional e a promoção de mandatos é fundamental para assegurar a credibilidade das informações produzidas pelo Legislativo municipal.

O III Seminário de Comunicação Pública segue debatendo temas relacionados à democracia, tecnologia e comunicação, em um momento em que a confiança nas informações se torna um dos principais desafios da sociedade contemporâneo.

 

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