Arlindo Cruz, mestre do samba, morre aos 66 anos no Rio

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Foram 12 anos no Fundo de Quintal até seguir carreira solo em 1993. Foto; Redes Sociais.

O Brasil amanheceu mais silencioso nesta sexta-feira.

Partiu, aos 66 anos, um de seus maiores talentos musicais: Arlindo Cruz — multi-instrumentista, compositor, intérprete e verdadeiro guardião do samba.

O artista enfrentava complicações de saúde desde 2017, quando sofreu um grave Acidente Vascular Cerebral (AVC).

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A notícia foi confirmada pela família por meio das redes sociais. Em nota, agradeceram as mensagens de amor e apoio recebidas ao longo dos últimos anos e, especialmente, neste momento de despedida. “Arlindo parte deixando um legado imenso para a cultura brasileira e um exemplo de força, humildade e paixão pela arte. Que sua música continue ecoando e inspirando as próximas gerações, como sempre foi seu desejo”, diz o comunicado. Ele deixa a esposa, Bárbara, e os filhos Arlindinho e Flora.

Nascido em 14 de setembro de 1958, no bairro de Madureira, Zona Norte do Rio, Arlindo Domingos da Cruz Filho cresceu embalado pelo batuque das rodas de samba. Aos 7 anos, ganhou seu primeiro cavaquinho.

Herdou o talento do pai, Arlindão Cruz, que também tocava cavaquinho, e da mãe, Aracy, percussionista e cantora.

Ainda jovem, tocou ao lado de mestres como Candeia. Passou pela Escola Preparatória de Cadetes do Ar, mas nunca abandonou a música. Logo, mergulhou nas rodas do Cacique de Ramos, onde encontrou nomes como Jorge Aragão, Beth Carvalho, Almir Guineto, Zeca Pagodinho e Sombrinha, seu grande parceiro. Dali, foi convidado a integrar o Fundo de Quintal, revolucionando o samba com sonoridade moderna sem perder a alma dos terreiros.

Carreira solo e grandes sucessos

Foram 12 anos no Fundo de Quintal até seguir carreira solo em 1993. Com mais de 700 composições, Arlindo escreveu canções que celebram o amor, a fé, a luta e a vida nas comunidades brasileiras.

Entre os sucessos eternizados por ele e por outros intérpretes estão O Show Tem Que Continuar, Meu Lugar e Bagaço de Laranja.

Arlindo também brilhou no carnaval carioca, sendo figura querida em escolas como o Império Serrano, que o homenageou em 2023. No desfile, mesmo debilitado, participou com emoção em um carro alegórico.

Defensor apaixonado da cultura popular, Arlindo era torcedor fervoroso do Flamengo e fiel ao candomblé e aos Orixás. Combateu com firmeza a intolerância religiosa e sempre usou a música como ponte entre as pessoas.

Em nota, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a perda: “Arlindo foi um dos compositores e artistas mais talentosos e respeitados do Brasil. Em essência, o Sambista Perfeito. Deixa um legado de talento, poesia e generosidade que ficará para sempre na nossa memória”.

 

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