ALMG entrega certidões revisadas a famílias da ditadura

ALMG vai entregar certidao a familiares de vitimas da ditadura Diarios Associados Divulgacao Balcao News 27 8 25 ALMG vai entregar certidao a familiares de vitimas da ditadura Diarios Associados Divulgacao Balcao News 27 8 25
Familiares de 63 vítimas da repressão foram convidados. Foto: Divulgação Diário Associados.

Primeira entrega nacional

A primeira entrega coletiva de certidões de óbito revisadas de vítimas da ditadura militar no Brasil será realizada amanhã, quinta-feira (28), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O ato histórico terá a presença de todos os membros da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), ligada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, entre eles Vera Silvia Facciolla Paiva, filha do ex-deputado federal Rubens Paiva, sequestrado, torturado e assassinado pelo regime em 1971.

O evento é organizado pela Comissão de Direitos Humanos da ALMG e acontece às 16h, no Auditório José Alencar Gomes.

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O requerimento foi apresentado pela 1ª vice-presidenta da Assembleia, deputada Leninha (PT), em conjunto com a presidenta da Comissão de Direitos Humanos, deputada Bella Gonçalves (Psol).

Homenagem a 63 vítimas

Familiares de 63 vítimas da repressão foram convidados, parte deles já confirmada. Entre as autoridades presentes estarão a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, e a presidenta da CEMDP, Eugênia Gonzaga, além da deputada federal Natália Bonavides (PT/RN).

A ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, também participará da cerimônia. Cunhada de um desaparecido político, ela deve receber a certidão revisada das mãos de Bella Gonçalves.

Cinema e memória

A revisão das certidões ganhou força após o impacto do filme “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025.

A obra retrata a luta da advogada Eunice Paiva para obter a certidão de óbito do marido Rubens Paiva. O longa deu visibilidade à luta de centenas de famílias que, por décadas, aguardam o reconhecimento formal da verdade.

Marco histórico do CNJ

O avanço foi possível graças à Resolução 601 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), aprovada em dezembro de 2024. A norma regulamenta a lavratura e retificação de certidões de óbito em casos reconhecidos pela Comissão Nacional da Verdade.

A partir dela, os documentos passam a registrar a causa da morte como: Morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964”.

Reconhecimento da verdade

A certidão de óbito de Rubens Paiva foi corrigida em janeiro de 2025, no mesmo dia em que o filme sobre sua história foi indicado ao Oscar. Antes disso, o documento oficial registrava apenas que ele estava desaparecido desde 20 de janeiro de 1971.

Segundo as deputadas Leninha e Bella Gonçalves, a medida simboliza um passo fundamental na reparação histórica:

“Para as famílias, o novo documento não é apenas uma certidão. É o reconhecimento da verdade, da dor e da dignidade de quem foi silenciado pela ditadura militar.”

 

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