Críticas às tarifas e defesa da soberania
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que pretende se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana.
Durante discurso na Assembleia Geral da ONU, Trump classificou Lula como um “homem muito agradável” e destacou que houve “química excelente” entre os dois em um breve encontro nos corredores da instituição.
Tradição da ONU e aproximação
A fala de Trump ocorreu logo após o pronunciamento de Lula, que tradicionalmente abre as Assembleias anuais da ONU. O líder americano relatou que, ao se encontrarem, trocaram abraços e decidiram marcar uma nova reunião.
Críticas
Apesar dos elogios pessoais, Trump manteve críticas às relações comerciais entre os dois países. Ele disse que as tarifas impostas contra o Brasil são medidas de defesa da soberania e dos interesses dos cidadãos americanos. Segundo ele, o Brasil teria aplicado tarifas “injustas e imensas” sobre produtos norte-americanos, o que justificaria a taxa de 50% contra itens brasileiros.
Acusações e resposta do Brasil
Trump também acusou o Brasil de praticar censura, repressão e de utilizar o sistema judicial como arma contra cidadãos.
Em resposta, o governo brasileiro argumenta que os Estados Unidos acumularam superávit de mais de US$ 400 bilhões em 15 anos no comércio bilateral, não havendo motivo para novas tarifas.
STF rebate declarações
Em carta oficial, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, rejeitou as acusações de censura.
Ele afirmou que as decisões da Corte têm como objetivo proteger a liberdade de expressão e que as críticas de Trump refletem “compreensão imprecisa dos fatos”.
Críticas a medidas externas
Durante discurso na abertura da Assembleia-Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não há justificativa para “medidas unilaterais e arbitrárias” direcionadas às instituições e à economia brasileira. Segundo ele, “a agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável” e conta com apoio de setores da extrema direita que atuam contra o país.
Condenação inédita na história
Lula destacou que, pela primeira vez em 525 anos, um ex-chefe de Estado brasileiro foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito. “Foi investigado, indiciado, julgado e responsabilizado, com amplo direito de defesa”, disse, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe e outros crimes.
Recado à comunidade internacional
O presidente afirmou que a decisão da Justiça envia uma mensagem clara ao mundo: “Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis. Democracias sólidas vão além do ritual eleitoral, exigem redução das desigualdades e garantia dos direitos mais elementares”.
Eduardo Bolsonaro sob investigação
Lula também mencionou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde março e atua em articulações com o governo Trump para impor retaliações ao Brasil.
Ontem, (22), a Procuradoria-Geral da República denunciou Eduardo e o blogueiro Paulo Figueiredo por coação. Ambos já haviam sido indiciados pela Polícia Federal em agosto.
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