Em um movimento que acirra as tensões diplomáticas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) uma Ordem Executiva que classifica o Brasil como “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional norte-americana.
A medida, embasada na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), equipara o Brasil a países como Irã, Venezuela e Cuba — alvos tradicionais de sanções por parte de Washington.
A nova ordem impõe uma tarifa extra de 40% sobre produtos brasileiros, elevando o total para 50%. Segundo o comunicado da Casa Branca, a medida responde a práticas do governo brasileiro que, segundo os EUA, comprometem os direitos humanos, a liberdade de expressão, a política externa e a economia americana.
“O presidente Donald J. Trump está protegendo a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos de uma ameaça estrangeira”, diz a nota oficial, com forte tom ideológico.
Ele confirmou também nesta quarta-feira, por meio da sua rede social Truth Social, que a nova tarifa de importação entra em vigor no dia 1º de agosto e não haverá prorrogação.
“O prazo limite de 1º de agosto está mantido. Está forte e não será estendido. Um grande dia para a América”, publicou Trump, dando o tom definitivo da medida.
Para o Brasil, o comunicado representa um duro golpe: os produtos brasileiros vendidos nos EUA passarão a sofrer um aumento de 50% em taxas, o que pode inviabilizar boa parte das exportações.
O anúncio oficial da medida foi feito por Trump no dia 9 de julho.
Desde então, segundo a Agência Brasil, o governo brasileiro e representantes do Congresso têm tentado abrir diálogo com a Casa Branca. Até o momento, nenhuma delegação foi recebida por autoridades americanas.
Ministro vê boicote, não tarifa
Em entrevista concedida nesta quarta-feira ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França, foi enfático ao criticar a decisão norte-americana:
“Isso não é bem uma tarifa. É um boicote, como fazem com Cuba. Com 50%, você praticamente proíbe a venda. Inviabiliza”, afirmou.
França também destacou que não há decreto oficial nem projeto de lei tramitando nos Estados Unidos para formalizar a medida. “É algo da cabeça do Trump. Ele digitou na rede social e anunciou”, ironizou.
Medidas emergenciais para perecíveis
Apesar da ausência de formalização, o governo brasileiro já trabalha com diferentes cenários. De acordo com o ministro, há informações de que a taxação pode recair apenas sobre produtos que tenham similares no mercado interno dos Estados Unidos.
“De qualquer maneira, estamos nos preparando, especialmente para os bens perecíveis, que têm menor prazo de validade”, afirmou.


