Em maio de 2024, Minas Gerais registrou 701.736 empresas inadimplentes, segundo levantamento da Serasa Experian. Isso representa quase 3 em cada 10 empresas ativas no estado — ou 28% do total.
O cenário escancara as dificuldades enfrentadas por empreendedores mineiros em um ambiente econômico pressionado por juros altos, inflação e crédito restrito.
A soma dos débitos negativados no período ultrapassou os R$ 15,4 bilhões, com valor médio por dívida de R$ 3.170,71. Em média, cada CNPJ no estado acumulava sete contas em atraso, o que expõe um quadro de comprometimento financeiro persistente, especialmente entre micro e pequenos negócios.
Recorde histórico nacional em dívidas
No Brasil, o cenário não é menos alarmante. Pela quinta vez consecutiva, o país bateu recorde de inadimplência empresarial: 7,7 milhões de empresas encerraram o mês de maio no vermelho, o equivalente a 32,8% do total de empresas ativas. O volume de dívidas atingiu R$ 182,4 bilhões — o maior desde o início da série histórica, em 2016. Cada empresa apresentava, em média, 7,3 dívidas em aberto, com um ticket médio de R$ 3.255,40.
Do total de inadimplentes, 7,3 milhões são micro e pequenas empresas. Juntas, essas companhias respondem por 51,7 milhões de dívidas, somando R$ 164,1 bilhões. Entre empresas médias e grandes, os números foram bem menores: cerca de 32 mil médias e 23 mil grandes empresas estavam inadimplentes.
Crédito mais restrito e juros elevados
Segundo Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, o ambiente de concessão de crédito está cada vez mais restritivo, o que torna ainda mais difícil para empresas endividadas renegociarem seus débitos. “Os credores estão mais cautelosos, mesmo diante de tentativas de negociação. Isso amplia o risco de manutenção da inadimplência e pode levar muitas empresas a um colapso financeiro”, alerta.
Ela também chama atenção para os possíveis impactos de pressões externas, como uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, sinalizada por Donald Trump. Medidas retaliatórias do Brasil poderiam gerar aumento nos preços de insumos, especialmente para empresas inseridas em cadeias globais.
Fatores internos agravam a situação
Internamente, um eventual aumento no IOF sobre operações de crédito também preocupa. “Isso impactaria diretamente o custo do financiamento produtivo, prejudicando especialmente os pequenos empreendedores, que já enfrentam dificuldades para manter o capital de giro”, afirma Abdelmalack.
Com juros em 15% ao ano e um cenário inflacionário pressionado, o Banco Central pode ser forçado a postergar cortes na taxa básica, retardando a recuperação econômica das empresas.
Setor de Serviços lidera em inadimplência
O setor de Serviços concentrou 53,7% das empresas inadimplentes em maio, seguido por Comércio (34,1%) e Indústria (8,0%). Categorias como o setor Financeiro e o Terceiro Setor somaram 3,2%, enquanto o setor Primário respondeu por 1,0%.
As principais fontes das dívidas foram as empresas do setor de Serviços (31,5%), seguidas por dívidas com Bancos e Cartões (20,9%).
Minas ocupa posição de destaque negativo
Entre os estados, São Paulo lidera em números absolutos (2.635.018 empresas inadimplentes), seguido por Minas Gerais (701.736) e Rio de Janeiro (694.981). Em termos proporcionais, o Distrito Federal encabeça o ranking, com 42,4% das empresas inadimplentes, seguido por Pará (40,4%) e Alagoas (39,9%).
A persistência da inadimplência, combinada com a restrição de crédito e fatores externos como inflação global e guerra comercial, exige que empresários redobrem a atenção à gestão financeira. Negociar prazos, controlar custos e buscar novas fontes de receita são caminhos fundamentais para resistir ao atual ciclo de aperto econômico.


