Audiência aborda programa Muralha BH, empréstimo do Brics
A Comissão de Administração Pública e Segurança Pública da Câmara Municipal de Belo Horizonte realizou, uma audiência pública para discutir as tecnologias visitadas pelo prefeito Álvaro Damião durante sua viagem à China e que podem ser aplicadas na capital mineira.
A reunião, solicitada pelo vereador Uner Augusto (PL), contou com a presença do secretário municipal de Relações Institucionais, Qu Cheng, e do diretor-presidente da Prodabel, Fernando Lopes, que responderam às perguntas dos parlamentares.
Diferentemente do formato tradicional, Uner Augusto destacou que a audiência teria caráter exclusivamente investigativo. “O objetivo é fazer perguntas e ouvir as respostas do Executivo municipal aos anseios da população”, afirmou. Entre os temas centrais discutidos estiveram o programa de segurança Muralha BH, o anúncio de um empréstimo de R$ 1 bilhão junto ao banco do Brics e a possível criação da Secretaria Municipal de Relações Internacionais.
Muralha BH: monitoramento e segurança pública
O secretário Qu Cheng destacou que o Muralha BH foi o foco principal da visita à China. O programa, segundo a Prefeitura, integra diferentes tecnologias de monitoramento com o objetivo de inibir ações criminosas, reforçar a sensação de segurança e melhorar a qualidade de vida dos moradores.
Durante a audiência, vereadores questionaram especialmente a gestão dos dados captados pelas câmeras. O vereador Sargento Jalyson (PL) manifestou preocupação com a privacidade e o acesso às informações por empresas estrangeiras. Em resposta, Fernando Lopes garantiu que todo o processamento de imagens e dados será feito pela Prodabel, sem repasse ou abertura de sistemas para companhias chinesas ou terceirizadas.
Uner Augusto também perguntou sobre os resultados da viagem do prefeito a Israel, em 2023, que teve como objetivo estudar sistemas de segurança daquele país. Lopes explicou que as tecnologias chinesa e israelense são complementares: “A China tem produção de hardware a baixo custo; Israel investe mais em softwares avançados para análise de imagens.”
O diretor reiterou que a escolha das tecnologias será guiada por critérios técnicos e pela relação custo-benefício. Questionado sobre possíveis riscos de violação de privacidade por fabricantes chineses, Lopes ressaltou que a Prodabel possui mecanismos de blindagem das informações e que “nunca houve vazamentos” de dados do município.
Empréstimo de R$ 1 bilhão do Brics
Outro ponto debatido foi o anúncio do prefeito sobre um acordo preliminar com o Novo Banco de Desenvolvimento (Brics) para um empréstimo estimado em R$ 1 bilhão destinado à requalificação do Anel Rodoviário.
Vereadores como Uner Augusto, Sargento Jalyson e Pablo Almeida (PL) pediram detalhes sobre juros, prazos e critérios técnicos. Qu Cheng afirmou que o valor divulgado é aproximado e que o montante final depende da análise do banco. Segundo ele, estão previstas obras como a construção de sete viadutos e outras intervenções estruturais.
Pablo Almeida questionou a falta de clareza sobre o projeto. “Parece ter havido um atropelamento, com solicitação de empréstimo antes de definir o valor real da obra”, afirmou. Qu Cheng respondeu que há um dimensionamento inicial apresentado ao banco, mas que a etapa técnica ainda passará por diligências.
Possível criação da Secretaria de Relações Internacionais
Também entrou em debate a possibilidade de transformar a atual Subsecretaria de Relações Internacionais em uma secretaria própria. Segundo Qu Cheng, a proposta busca ampliar a capacidade de atração de investimentos e apoiar empresas locais na internacionalização.
Ele explicou que Belo Horizonte tem forte vocação tecnológica, citando o maior escritório da Google no Brasil e o ecossistema de startups San Pedro Valley. “Queremos usar a prefeitura como trampolim para que as empresas acessem cadeias globais. O modelo deve unir fomento, aceleração e capacitação”, afirmou.
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