Implicâncias existem no futebol
Há torcedores que implicam com determinados jogadores. Às vezes, implicam também com posições de jogadores do elenco — e não é pouco.
Em minhas andanças futebolísticas, já me deparei diversas vezes com esses “tipos raros”. Contudo, cabe destacar um caso específico, digno da observação atenta dos mais renomados psiquiatras e psicólogos do comportamento esportivo.
Em determinada época, um torcedor — amigo do Galo — passou a implicar sistematicamente com o então lateral-direito do Atlético, Marcos Rocha. Não satisfeito, transferiu a mesma antipatia ao jogador que o substituiu na posição: Guga.
A partir daí, de forma irônica, mas sob o pretexto de uma quase “pesquisa acadêmica”, comecei a provocar o cidadão, discutindo com ele a atuação dos maiores ícones da Seleção Brasileira que atuaram exatamente naquela faixa do campo:
Djalma Santos, bicampeão mundial, considerado um dos melhores laterais de todos os tempos.
Carlos Alberto Torres, capitão do tricampeonato de 1970, imortalizado pela técnica refinada e pelo gol antológico na final.
Cafu, único jogador da história a disputar três finais consecutivas de Copa do Mundo, campeão em 2002.
Para minha surpresa — ou nem tanto — a implicância não se restringia aos nomes. Era estrutural. Era conceitual. O problema, para ele, não eram os jogadores: era a posição.
Na lateral direita, segundo sua convicção inabalável, não existiam jogadores de futebol. Apenas “pernas de pau”, oportunistas e indignos de vestir a camisa do Galo.
No desenrolar dessa curiosa investigação empírica, descobri ainda outro traço marcante de sua personalidade: um trauma mal resolvido com a Seleção Brasileira, quase sempre associado aos salários dos jogadores. Mas isso já é outro capítulo — e renderia outra crônica.
Não é à toa que o futebol é o maior esporte do mundo. Esses detalhes, por mais irracionais que pareçam, fazem parte da paixão, do exagero e da insanidade controlada que movem o torcedor.
Observação final:
Marcos Rocha se consagrou após ser vendido ao Palmeiras, onde conquistou inúmeros títulos.
Guga foi transferido para o Fluminense e, sob diferentes treinadores, sempre figurou como titular.
O futebol, como se vê, segue firme em desmentir as certezas absolutas das arquibancadas.
Afonso Canabrava
Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.
Instagram: @afonsocanabrava
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