Galo: Em ano de Copa! Canabrava em Campo

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Um time desacreditado, se ganha duas partidas, a torcida reaparece cantando mais alto. Foto: Pedro Souza/CAM.

Galo: Em ano de Copa!

No futebol, meu caro, não existe almoço grátis, missa de corpo presente nem empate moral. O sujeito pode ganhar de 3 a 1, sair do estádio assobiando “Maria, Maria” e ainda assim dormir com um pé no paraíso e outro escorregando no inferno. Foi exatamente isso que aconteceu com o Atlético diante do Mirassol.

O placar foi bonito, daqueles que enganam sogra, cronista otimista e dirigente em fim de mandato. Mas o jogo contou uma história muito mais complicada do que a matemática simplória dos três gols. O Galo mostrou sinais de ressurreição e sintomas de pneumonia ao mesmo tempo.

Bernard, por exemplo, parecia ter encontrado no armário a velha chuteira da Copa do Mundo. Jogou leve, feliz, com aquela alegria nas pernas que o atleticano andava procurando igual criança atrás de pipa no vento. Correu, driblou, apareceu para o jogo e fez o torcedor lembrar que futebol também pode ser poesia, e não apenas boletim de ocorrência.

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Rony, porque Minda, convenhamos, nem a mãe dele chama assim, não esteve nos melhores dias, mas resolveu a questão com um golaço. E jogador de ataque é isso mesmo: pode passar oitenta minutos tropeçando na sombra e, no minuto seguinte, virar herói de mesa-redonda.

Na defesa, Lodi e Natanael começam finalmente a dar ao atleticano uma sensação esquecida: segurança. Jogaram bola de gente grande. Sem firula, sem susto desnecessário, sem aquela vocação suicida que a zaga atleticana às vezes demonstra como quem gosta de brincar de roleta-russa.

E apareceu também o menino Cissé, fazendo o gol da redenção. Depois da expulsão infantil contra o Ceará, o rapaz entrou em campo carregando o peso de uma carreta nas costas. Respondeu do jeito certo: bola na rede. O futebol, felizmente, ainda permite absolvição sem precisar passar em cartório.

Mas nem tudo são flores no quintal do Galo. A bola aérea defensiva continua sendo um filme de terror. O gol do Mirassol saiu numa disputa em que Bernard marcava um zagueiro quase vinte centímetros mais alto. Ora, colocar Bernard naquela bola é como mandar um guarda-chuva marcar um poste. O que ele fazia ali talvez nem o GPS do Cuca consiga explicar.

E existe outra fumaça saindo da Cidade do Galo: o vestiário. Ninguém fala claramente, o dirigente desconversa, o jogador dá entrevista sorrindo demais e quando todo mundo sorri demais no futebol é porque alguém já puxou faca no corredor. A diretoria percebeu o cheiro de queimado e trouxe Guilherme Alves para coordenador técnico. Guilherme, aquele mesmo que fazia dupla com Marques e tratava zagueiro adversário como quem invade festa sem convite. O recado é claro: estão tentando devolver identidade ao clube.

No Brasileiro, o Atlético vive uma situação tipicamente brasileira: está a três pontos da zona da Libertadores e também a três pontos do rebaixamento. Traduzindo: o sujeito olha para cima e vê o céu; olha para baixo e encontra o alçapão. E faltam justamente Corinthians e Bahia antes da parada. Uma vitória agora vale mais que três pontos, valem paz, confiança, autoestima e até reconciliação entre jogador e arquibancada.

Na Sul-Americana, o cenário também pode mudar depressa. O Galo encara Cienciano e Academia Puerto Cabello em Belo Horizonte. Se vencer as duas, classifica. Simples assim. E futebol adora essas viradas de roteiro: um time desacreditado ganha duas partidas, a torcida reaparece cantando mais alto, dirigente volta a dar entrevista de peito estufado e jogador que andava escondendo a perna começa subitamente a dar carrinho até em treino recreativo.

Depois vem a pausa do calendário, abre a janela de contratações, aparecem propostas, saídas, reforços, fofocas de empresário e promessas de revolução. E talvez alguns jogadores que andam se poupando por causa das seleções de seus países resolvam finalmente mostrar os dentes.

Né não?

Afonso Canabrava

Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.

  • As opiniões contidas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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