Alta das dívidas reflete juros elevados e consumo sazonal, aponta levantamento da CDL/BH
O ano de 2025 terminou com um sinal de alerta para os consumidores de Belo Horizonte: a necessidade de planejamento financeiro em 2026. Levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) aponta que o índice de inadimplência na capital cresceu 5,86% em dezembro, na comparação com o mesmo mês de 2024.
De acordo com o presidente da entidade, Marcelo de Souza e Silva, o aumento está relacionado aos gastos típicos do fim de ano. “As despesas com festas, compra de presentes e comemorações se somam ao acúmulo de dívidas anteriores e à capitalização dos juros, elevando o valor médio devido”, explica.
Para ele, o momento também é propício para a adoção de hábitos financeiros mais saudáveis. “O cenário de 2026 é desafiador, mas oferece boas oportunidades para quem se organiza. O planejamento financeiro contínuo será um grande aliado das famílias. Ainda que a expectativa seja de crescimento moderado, o mercado de trabalho segue aquecido e há expectativa de redução da Selic nos próximos meses”, afirma.
Perfil da inadimplência
Com média de duas dívidas por CPF e valor médio devido de R$ 5.565,29, consumidores entre 34 e 40 anos concentram a maior parte dos inadimplentes da capital, representando 46,52% do total.
Segundo a CDL/BH, esse comportamento está associado a fatores econômicos e demográficos. Trata-se da faixa etária de maior atividade econômica e acúmulo de responsabilidades financeiras, como aquisição de imóveis, veículos e despesas familiares, o que amplia tanto o acesso ao crédito quanto o risco de endividamento. Já os mais jovens e os idosos apresentam índices menores, refletindo menor exposição ao crédito ou menor necessidade de endividamento.
Apesar do avanço, a inadimplência em Belo Horizonte permanece abaixo da média estadual (8,56%) e nacional (10,17%).
Manual do controle financeiro
Pequenas atitudes no dia a dia podem fazer grande diferença no equilíbrio do orçamento. Entre as orientações da CDL/BH estão o controle de receitas e despesas, a organização dos gastos por categoria e a priorização do pagamento de dívidas com juros mais altos. A criação de uma reserva de emergência, mesmo de forma gradual, também contribui para reduzir riscos ao longo do ano.
“O primeiro passo para uma vida financeira mais tranquila é conhecer a própria realidade. Quando o consumidor acompanha seus gastos de perto, ele ganha mais controle e faz escolhas melhores. Além disso, a taxa básica de juros deve permanecer elevada durante boa parte do ano, o que reforça a importância do uso consciente do crédito”, destaca Souza e Silva.
Confira algumas dicas práticas:
- Faça uma ‘fotografia financeira’
- Registre, por pelo menos 30 dias, tudo o que entra e sai do orçamento. Vale usar planilhas simples, aplicativos gratuitos ou até um caderno.
“A maioria das pessoas tem apenas uma ideia aproximada dos próprios gastos. Esse desconhecimento está na raiz do endividamento”, alerta o presidente da CDL/BH.
Organize as despesas por categoria
- Essenciais: moradia, alimentação, transporte e saúde
- Variáveis: lazer e compras por impulso
- Supérfluas: assinaturas e serviços premium
- Sazonais previsíveis: IPTU, IPVA, material escolar e seguros
Pequenos gastos recorrentes, como assinaturas de streaming e aplicativos de transporte, podem comprometer uma parcela significativa do orçamento quando somados.
Priorize as dívidas mais caras
- Cartão de crédito e cheque especial devem estar no topo da lista, por concentrarem os juros mais elevados e maior risco de inadimplência.
- Construa uma reserva de emergência
“Comece com valores pequenos, como R$ 50 ou R$ 100 por mês, e aumente gradualmente”, orienta Souza e Silva.
Perspectivas para 2026
As projeções indicam crescimento econômico moderado, em torno de 1,8%, impulsionado pelo desempenho do mercado de trabalho e por medidas de ampliação da renda disponível, como a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil. O movimento tende a sustentar o consumo, especialmente no comércio e nos serviços.
Ainda assim, o patamar elevado dos juros reforça a necessidade de planejamento financeiro e gestão cuidadosa do crédito ao longo do ano.
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