Vexame! A palavra ecoou nas arquibancadas da Arena MRV
O Atlético esteve à beira de um vexame maior e uma noite constrangedora diante do Remo, mas arrancou o empate por 3 a 3 no último suspiro da partida e evitou um tropeço ainda mais doloroso no Campeonato Brasileiro.
A reação tardia não apagou a frustração. Não silenciou as vaias. Tampouco encobriu as falhas defensivas que deixaram o torcedor inquieto. O gol salvador apenas impediu que o cenário fosse ainda mais severo.
Empate dramático na Arena MRV
Em duelo válido pela terceira rodada do Brasileirão, disputado na noite desta quarta-feira (11), na Arena MRV, em Belo Horizonte, o Galo esteve duas vezes à frente do placar, mas viu o Remo reagir com ousadia e eficiência.
Os gols atleticanos foram marcados por Hulk, Ruan Tressoldi e Dudu. Pelo lado paraense, Vitor Bueno, Yago Pikachu e Alef Manga balançaram as redes e colocaram o time mineiro em situação delicada até o último lance.
O empate manteve o Atlético na 14ª colocação, com dois pontos somados — mesma pontuação do Remo, que ocupa a 15ª posição. Um início irregular que acende o alerta no clube alvinegro.
Primeiro tempo intenso e aberto
A partida começou com ritmo acelerado. O Atlético tentava impor presença ofensiva, enquanto o Remo mostrava personalidade, sem se intimidar diante da pressão da torcida mineira.
Logo aos 13 minutos, Victor Hugo fez a inversão precisa para Tomás Cuello. O camisa 28 infiltrou sozinho na área e finalizou de canhota. A bola explodiu na trave. Um aviso.
Aos 22, o erro defensivo do Remo custou caro. Zé Ricardo tentou inverter a jogada na intermediária, Victor Hugo interceptou parcialmente e a bola sobrou limpa para Hulk. O camisa 7 não hesitou. Invadiu a área e disparou uma bomba de pé direito para abrir o placar.
O estádio vibrou. Parecia o prenúncio de uma noite tranquila.
Mas o futebol raramente segue roteiros previsíveis.
Aos 42 minutos, após jogada trabalhada pela esquerda, Alef Manga tocou para o meio e Vitor Bueno aproveitou a sobra dentro da área para empatar. Frieza. Precisão. Silêncio momentâneo nas arquibancadas.
O Atlético ainda tentou responder antes do intervalo, mas encontrou resistência. A igualdade persistiu até o descanso.
Segundo tempo de tensão e reviravoltas
Se o primeiro tempo já havia sido movimentado, a etapa final elevou o drama a outro patamar.
O Remo voltou mais agressivo. Pressionou alto. Criou chances. O Atlético demonstrava insegurança na saída de bola e dava sinais de instabilidade.
Aos 25 minutos, Hulk cobrou falta da ala esquerda com precisão cirúrgica. Ruan Tressoldi subiu na pequena área e testou firme para recolocar o Galo à frente.
Aos 41, em contra-ataque fulminante, Patrick de Paula acionou Yago Pikachu, que avançou pela direita e finalizou com potência no alto do gol. Empate novamente. A defesa atleticana ficou exposta. A torcida, inquieta.
O cenário piorou aos 46 minutos. Renan Lodi recuou mal, Patrick de Paula aproveitou e sofreu o choque com Everson. Na sequência, Alef Manga pegou a sobra e marcou com o gol vazio.
Virada do Remo
A Arena MRV explodiu em vaias. Parte da torcida visitante entoava “olé”. A atmosfera era pesada. O fantasma do vexame rondava o gramado.
Gol salvador no último suspiro
Quando o relógio já ultrapassava os 50 minutos, o Atlético encontrou forças no improviso.
Gustavo Scarpa recebeu pela direita, cortou para dentro e cruzou na medida. Dudu apareceu livre e empurrou para o fundo das redes aos 53 minutos.
Explosão. Mistura de alívio e indignação.
O árbitro encerrou a partida logo após o gol. O empate foi confirmado. O vexame maior, evitado. Mas as vaias continuaram ecoando.
Alerta ligado no Galo
O Atlético mostrou poder ofensivo, mas escancarou fragilidades defensivas preocupantes. Foram três gols sofridos em casa, diante de um adversário que soube explorar cada erro.
O Galo criou oportunidades, teve intensidade em momentos específicos, mas careceu de consistência. A oscilação emocional também pesou. Sempre que esteve à frente no placar, recuou excessivamente e permitiu a reação adversária.
O início de Brasileirão é apenas o começo, mas a pressão cresce a cada rodada.
Próximos compromissos
O Atlético volta a campo no sábado (14), às 19h, contra o Itabirito, no Castor Cifuentes, em Nova Lima, pela oitava rodada do Campeonato Mineiro.
Já o Remo encara o Castanhal nesta quinta-feira (12), no estádio Modelão, pela quinta rodada do Campeonato Paraense.
Empate com sabor amargo
Evitar o vexame completo foi importante. Contudo, a atuação deixou cicatrizes.
O torcedor atleticano saiu da Arena MRV dividido entre o alívio pelo gol salvador e a irritação pelas falhas repetidas. O empate no último lance impede um cenário mais dramático, mas não mascara a necessidade urgente de ajustes.
O Campeonato Brasileiro exige regularidade, concentração e maturidade. Sem isso, noites como esta podem se repetir. E o Galo sabe: a margem para erros está cada vez menor.
Ficha técnico: Atlético 3 x 3 Remo
Campeonato: 3ª rodada do Campeonato Brasileiro
Data: 11/02/2026
Local: Arena MRV, em Belo Horizonte
Horário: 20h
Atlético
Everson; Ángelo Preciado (Dudu), Junior Alonso, Ruan Tressoldi e Renan Lodi; Alan Franco, Maycon, Victor Hugo e Reinier (Bernard); Tomás Cuello (Igor Gomes) e Hulk (Gustavo Scarpa). Técnico: Jorge Sampaoli.
Remo
Marcelo Rangel; João Lucas, Marllon, Kayky e Sávio; Zé Ricardo, Patrick de Paula e Leonel Picco (Zé Welison); João Pedro (Diego Hernández), Vitor Bueno (Yago Pikachu) e Alef Manga. Técnico: Juan Carlos Osório.
Árbitro: Matheus Delgado Candançan (SP)
Assistentes: Neuza Inês Back (SP) e Luís Carlos de França Costa (RN)
VAR: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP)
Gols: Hulk, Ruan Tressoldi e Dudu (Atlético); Vitor Bueno, Yago Pikachu e Alef Manga (Remo)
Cartão amarelo: João Pedro e Kayky Almeida (Remo)
Público: 16.056
Renda: R$ 727.332,21.
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