Galo, apesar da superioridade numérica, não rompe jejum de vitórias
Na noite deste domingo, a Arena MRV foi palco de mais um capítulo frustrante para a torcida atleticana. Em duelo válido pela terceira rodada do Campeonato Mineiro, o Atlético recebeu o Tombense e, mesmo dominando boa parte do confronto e jogando com um homem a mais por quase metade da segunda etapa, não saiu do empate sem gols.
A equipe alvinegra, que buscava a primeira vitória na temporada, voltou a decepcionar seu torcedor, encerrando mais uma rodada sem triunfos. Este foi o terceiro empate consecutivo do Galo, que agora soma apenas três pontos no Grupo A da competição estadual.
Domínio improdutivo desde o início
Galo começou com ritmo forte, mas falhou na finalização
Desde os primeiros movimentos da partida, o Atlético tentou imprimir velocidade, marcação alta e movimentação constante no campo ofensivo. O técnico Jorge Sampaoli, conhecido por suas ideias ousadas, armou o time para pressionar e ditar o ritmo do jogo — especialmente pelo lado esquerdo, onde o recém-contratado Renan Lodi estreou com destaque.
Com uma posse de bola dominante e passes curtos em alta rotação, a equipe demonstrou superioridade territorial, mas o domínio não se traduziu em chances claras de gol. Faltou precisão, profundidade e, principalmente, eficácia na hora de finalizar. A bem postada defesa do Tombense conseguiu neutralizar as ações ofensivas atleticanas, com o goleiro Felipe Garcia tendo poucas intervenções difíceis.
Estreias não mudam o panorama
Renan Lodi e Maycon atuam, mas time continua sem engrenar
Um dos pontos altos do confronto foi a estreia do lateral Renan Lodi, que apesar de ter demonstrado cansaço logo no primeiro tempo, atuou durante os 90 minutos. O jogador mostrou disposição, participou bem na construção ofensiva e tentou dar amplitude às jogadas pela esquerda. Apesar disso, o entrosamento com os companheiros ainda parece em construção, o que é natural para quem acaba de chegar.
Outro estreante foi o volante Maycon, que iniciou entre os titulares, mas foi substituído na etapa final. Discreto, o meio-campista ainda busca ritmo de jogo e adaptação ao estilo tático proposto por Sampaoli. Nenhum dos reforços, no entanto, conseguiu dar a dinâmica ou criatividade que o Atlético tanto precisa no setor de meio-campo.
Tombense assusta nos contragolpes
Equipe visitante apostou na defesa sólida e quase surpreende
Mesmo com menos posse de bola, o Tombense foi perigoso nas transições rápidas. Utilizando-se de uma postura reativa, a equipe visitante criou as oportunidades mais agudas do confronto. Em uma delas, chegou a carimbar o travessão, num lance que silenciou momentaneamente a torcida atleticana presente na Arena.
O plano de jogo do Tombense, claramente defensivo, passou a se intensificar ainda mais após a expulsão do zagueiro Wesley Marth, aos 25 minutos do segundo tempo. O defensor recebeu o segundo cartão amarelo por conduta antidesportiva ao chutar a bola para longe, o que comprometeu a já limitada estrutura defensiva da equipe.
Superioridade numérica inútil
Com um jogador a mais, Atlético mostra pouca criatividade
Com a vantagem numérica em campo, esperava-se uma pressão avassaladora do Atlético. No entanto, a equipe mostrou enorme dificuldade para furar o bloqueio defensivo do Tombense. As substituições realizadas por Sampaoli — algumas contestadas nas arquibancadas — não surtiram o efeito esperado.
A equipe parecia repetitiva, previsível e desconectada no último terço do campo. Faltou um articulador que pensasse o jogo com mais lucidez e visão vertical. Os atacantes, muitas vezes isolados, não conseguiram romper as linhas compactas do adversário. A apatia ofensiva nos minutos finais foi gritante e gerou vaias da torcida ao término da partida.
Campanha preocupante no estadual
Três jogos, três empates e nenhum gol marcado
Com o resultado, o Atlético permanece na terceira posição do Grupo A, agora com três pontos conquistados. O número que mais preocupa é a ineficiência ofensiva: em três partidas disputadas no Campeonato Mineiro, o time ainda não balançou as redes.
O rendimento coletivo é inconsistente e as atuações têm deixado uma sensação de estagnação. Embora seja início de temporada, a falta de evolução no desempenho, aliada à pressão por títulos e à expectativa por um futebol mais agressivo e vencedor, começa a incomodar a torcida e gera desconfiança nos bastidores do clube.
Próximo compromisso promete tensão
Clássico contra o América pode ser decisivo
A oportunidade de virar a chave pode vir nesta quarta-feira (21), quando o Atlético enfrentará o América-MG, no Estádio Independência, às 21h30. O clássico regional promete ser um divisor de águas para a sequência da temporada.
Caso não vença, o Galo poderá ver sua classificação às fases finais do estadual ameaçada precocemente, algo que seria impensável para um clube com o investimento e a estrutura atual. Jorge Sampaoli, pressionado, terá que encontrar soluções rápidas, não apenas no campo tático, mas também no psicológico de um elenco que parece desconectado e pouco inspirado.
O Atlético vive um momento de fragilidade emocional e tática. A equipe, que em teoria é uma das mais qualificadas do futebol brasileiro, parece sofrer com a ausência de um modelo de jogo claro, de entrosamento e de protagonismo em campo. A posse de bola tem sido estéril, sem agressividade. O ataque, inoperante. E a defesa, embora sólida, não tem conseguido garantir vitórias em jogos equilibrados.
A comissão técnica precisará trabalhar intensamente para corrigir os desequilíbrios e reencontrar um padrão competitivo. A temporada está apenas começando, mas o alerta está aceso. A paciência da torcida, como se viu no apito final, tem limite.
Ficha técnica: Atlético 0 x 0 Tombense
Campeonato: 3ª rodada do Campeonato Mineiro
Data: 18/01/2026
Local: Arena MRV, em BH
Horário: 18h (de Brasília)
Público: 18.582
Renda: R$ 792.272,25
Cartão amarelo: Wesley Marth (Tombense)
Cartão vermelho: Wesley Marth (Tombense)
Arbitragem: Daniel da Cunha Oliveira Filho, auxiliado por Magno Arantes Lira e Fernanda Nandrea
VAR: Michel Patrick Costa Guimarães
Atlético
Everson; Natanael (Reinier), Ruan Tresoldi, Vitor Hugo; Renan Lodi; Maycon (Alan Franco), Igor Gomes, Gustavo Scarpa (Tomás Cuello); Dudu, Bernard e Hulk.
Técnico: Jorge Sampaoli.
Tombense
Matheus, Júlio Henrique (João Vitor), Wesley Marth, Roger Carvalho, Wanderson, Gustavo Xavier (PH), Rafinha, Dyego, Julio Cesar (Luiz Felipe), Pedro Oliveira (Jupi) e Jefferson Renan (Diego Leonardo).
Técnico: Cristovão Borges.
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