Galo – A diretoria descobriu o óbvio ululante: era inevitável demitir Sampaoli

Jorge Sampaoli rumo a Argentina Jorge Sampaoli rumo a Argentina
Era inevitável demitir Jorge Sampaoli. Foto: IA.

Era inevitável demitir Jorge Sampaoli

Não me foi difícil prever a queda de Jorge Sampaoli. Na crônica publicada antes do jogo contra o Remo, já era possível sentir que o ciclo estava esgotado. Difícil, de fato, é entender por que o treinador foi mantido até a temporada de 2026, mesmo após um 2025 desastroso e um início de ano marcado por futebol pobre, instável e conflituoso.

A própria diretoria apostou na continuidade do projeto. As principais contratações para 2026 foram feitas sob orientação direta de Sampaoli. E agora? Quem responde por isso? O Atlético paga hoje o preço de uma gestão que confundiu teimosia com convicção.

Sampaoli deixou o clube com um elenco caro, fragmentado e emocionalmente exaurido. Seu modelo de jogo, excessivamente dependente de intensidade e pressão desorganizada, já não produzia resultado nem desempenho. Nos jogos do Campeonato Mineiro e nas primeiras partidas da temporada, o Galo mostrou um time nervoso, sem identidade e incapaz de impor um mínimo de técnica.

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É duro ser taxativo, mas os números sustentam a crítica: Sampaoli acumulou frustrações nos grandes clubes brasileiros nos últimos anos e não conquistou títulos relevantes desde o período no Flamengo. Sua retórica moderna não foi acompanhada por futebol eficiente.

A troca de treinador, portanto, muda mais que o esquema tático: muda o humor, o ambiente e a alma do Atlético.

Se a diretoria optar por um nome de perfil agregador, como Renato Gaúcho, citado nos bastidores, a transformação pode ser imediata. Renato não entrega apenas organização: entrega pertencimento, vestiário unido e jogadores confiantes.

No campo, o Galo pode evoluir para um 4-2-3-1 flexível, que se transforma em 4-4-2 na recomposição e 4-2-4 quando ataca com agressividade. Um time que entende o momento do jogo. Que sabe quando morder e quando acelerar. Não é lirismo, é futebol moderno com identidade.

E o que precisa mudar de verdade?

  •  A relação com a torcida
  •  A Massa voltar a se reconhecer no time
  •  Menos pranchetas, mais atitude
  •  Menos desculpas, mais entrega
  •  Um Atlético de cara fechada em campo e arquibancada em ebulição

No vestiário, onde havia tensão, é preciso que volte a existir confiança. Que os jogadores deixem de atuar como se estivessem sob julgamento permanente e passem a jogar com prazer, coragem e pertencimento.

No futebol, isso vale mais do que qualquer sistema tático.

O torcedor não espera um time perfeito.
Espera um time vivo.
Um Atlético que jogue como a arquibancada sente:
com alma e com “chuteiras sem salto”.
Né não?

Afonso Canabrava

Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.

Instagram: @afonsocanabrava

As opiniões contidas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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