Aplicações de curto prazo ajudam a decidir entre quitar à vista ou parcelar os tributos
Com a divulgação dos calendários de IPVA e IPTU para 2026, contribuintes voltam a enfrentar a dúvida clássica do início do ano: pagar os impostos à vista ou parcelar. Em um cenário de juros ainda elevados, a decisão deixou de ser apenas operacional e passou a exigir planejamento financeiro.
Especialistas indicam que, em vez de manter o valor parado na conta-corrente até o vencimento, aplicações de curto prazo, com alta liquidez e baixo risco, podem reduzir o impacto desses gastos no orçamento. Produtos pós-fixados atrelados à Selic estão entre os mais indicados.
Segundo Cecília Perini, sócia e líder da XP em Minas Gerais, o primeiro passo é alinhar o investimento ao prazo do imposto. “IPVA e IPTU são despesas previsíveis e de curto prazo. Isso elimina a necessidade de assumir risco. O dinheiro precisa estar em aplicações com liquidez diária e baixa volatilidade, para que o contribuinte consiga pagar o boleto na data certa”, afirma.
Entre as alternativas mais utilizadas estão o Tesouro Selic e CDBs pós-fixados de instituições com boa avaliação de crédito. Esses produtos acompanham a taxa básica de juros e permitem resgates sem perda relevante de rentabilidade.
A escolha entre pagar à vista ou parcelar deve considerar o desconto oferecido pelo governo e o rendimento líquido da aplicação. “O desconto funciona como um retorno garantido. Se ele for maior do que o valor que o dinheiro renderia investido no mesmo período, pagar à vista faz mais sentido. Caso contrário, o parcelamento pode ser financeiramente vantajoso, desde que o valor permaneça investido”, explica.
A especialista alerta para um erro comum: parcelar o imposto e deixar o dinheiro parado. “Quando o contribuinte parcela e não investe, ele perde o desconto e não obtém nenhum rendimento. Em um ambiente de juros altos, isso significa perda de poder de compra”, diz.
Para Cecília, o planejamento antecipado é determinante. “Quem reserva mensalmente o valor do IPVA e do IPTU ao longo do ano chega a janeiro com o montante acumulado e rendendo. Isso amplia as opções e reduz a pressão sobre o orçamento”, conclui.

