Pesquisa da Fecomércio MG aponta congestionamentos
A mobilidade urbana deixou de ser apenas uma questão de deslocamento e passou a influenciar diretamente a competitividade das empresas e o desempenho da economia de Belo Horizonte. É o que revela pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, que aponta o trânsito, os congestionamentos e o alto custo dos estacionamentos como os principais obstáculos enfrentados pelo comércio varejista da capital.
O levantamento mostra que sete em cada dez empresários classificam o trânsito de Belo Horizonte como ruim ou péssimo. Para os entrevistados, as dificuldades de circulação afetam o acesso dos consumidores aos estabelecimentos, elevam os custos logísticos, prejudicam operações de carga e descarga e reduzem a produtividade das empresas.
Segundo a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, a mobilidade urbana deve ser tratada como uma política de desenvolvimento econômico.
“A mobilidade influencia diretamente a competitividade das empresas. Quando consumidores encontram dificuldades para chegar ao comércio, quando mercadorias demoram mais para serem entregues e os custos logísticos aumentam, toda a atividade econômica perde eficiência. O trânsito deixou de ser apenas um problema de deslocamento e passou a afetar a capacidade de crescimento do comércio“, afirma.
A especialista também destaca os reflexos sobre o mercado de trabalho. De acordo com ela, a oferta de transporte coletivo, especialmente no período noturno, é fundamental para garantir o deslocamento dos trabalhadores do comércio e dos serviços, enquanto congestionamentos e dificuldades no transporte público provocam atrasos, comprometem a produtividade das equipes e dificultam a atração e retenção de mão de obra.
O estudo aponta ainda que os congestionamentos geram impactos em cadeia sobre a economia local. Além de ampliar o tempo de deslocamento, eles aumentam os custos operacionais das empresas, dificultam a reposição de estoques, reduzem o fluxo de consumidores e diminuem a competitividade do comércio de rua diante do comércio eletrônico e dos centros comerciais fechados.
Outro fator apontado como crítico é o custo dos estacionamentos. Cerca de 74% dos empresários afirmam que os preços cobrados e a dificuldade para encontrar vagas reduzem a atratividade das áreas comerciais, desestimulando compras rápidas e afetando principalmente pequenos e médios negócios.
As operações de carga e descarga também figuram entre os principais desafios. Mais de 60% dos entrevistados relatam impactos significativos provocados pela escassez de vagas específicas, restrições de horários e conflitos entre a logística de abastecimento e o fluxo de veículos, fatores que elevam os custos e atrasam a distribuição de mercadorias.
Apesar das dificuldades, a pesquisa mostra que parte do empresariado reconhece a importância de organizar a circulação de caminhões na capital. Quatro em cada dez entrevistados avaliam positivamente as restrições ao tráfego de veículos de carga. Por outro lado, cerca de dois terços acreditam que essas limitações contribuem para o aumento do custo do frete, evidenciando a necessidade de conciliar mobilidade urbana e eficiência logística.
Para a Fecomércio MG, os resultados reforçam que investimentos em mobilidade urbana podem gerar benefícios que vão além da melhoria do trânsito, contribuindo para fortalecer o ambiente de negócios, ampliar a competitividade das empresas e impulsionar o desenvolvimento econômico de Belo Horizonte.
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