Em meio à reunião de cúpula do Brics, que ocorre no Rio de Janeiro, o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, ameaçou taxas extras a produtos de países que se alinhem ao grupo, formado por 11 nações, entre elas, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Em publicação feita ontem, domingo, em sua conta na plataforma Truth Social, Trump ameaçou impor uma tarifa extra de 10% sobre produtos oriundos de países que se alinhem ao bloco.
“Qualquer país que se alinhe às políticas antiamericanas do Brics será taxado com tarifa extra de 10%. Não haverá exceções a essa política. Obrigado pela atenção em relação a essa questão”, escreveu o presidente norte-americano, que tomou posse em janeiro deste ano e tem adotado uma postura econômica agressiva desde o início do mandato.
A reação de Trump, segundo a Agência Brasil veio logo após a divulgação de um comunicado oficial dos líderes do Brics, no qual o grupo expressou críticas diretas às práticas protecionistas que vêm se intensificando no comércio global.
“Reiteramos nosso apoio a um sistema multilateral de comércio baseado em regras, aberto, transparente, justo, inclusivo, equitativo, não discriminatório e consensual, com a OMC em seu núcleo, com tratamento especial e diferenciado (TED) para seus membros em desenvolvimento”, afirma o texto divulgado ao fim da reunião.
O Brics é hoje formado por 11 países: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Egito e Etiópia. Além disso, outras dez nações são consideradas parceiras estratégicas do bloco: Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.
O Brics se identifica como nações do Sul Global e busca mais cooperação entre si e tratamento mais equânime em organismos internacionais.
Os países-membros se alternam ano a ano na presidência. O Brasil será sucedido pela Índia em 2026.
A tentativa de Donald Trump de frear a influência global do Brics, por meio de medidas tarifárias, reforça o tom de tensão geopolítica entre Washington e as economias emergentes que buscam, cada vez mais, independência nas decisões comerciais e políticas.
A reação do líder brasileiro veio em resposta à manifestação de Trump, que utilizou sua própria rede social para defender Bolsonaro, insinuando que o ex-presidente estaria sendo vítima de uma perseguição por razões políticas. A declaração foi vista por autoridades e analistas como uma tentativa de ingerência indevida nos assuntos internos do Brasil.


