CMBH aprova em primeira votação projeto que prevê multa por uso de drogas em espaços públicos da capital

Multa drogas aprovada em primeiro turno Denis Dias Multa drogas aprovada em primeiro turno Denis Dias
Parlamentares de oposição contestaram duramente a proposta. Foto: Dênis Silva/CMBH.

Críticas: inconstitucionalidade e risco de discriminação

O Plenário da Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou, em primeira votação na última segunda-feira, o Projeto de Lei 155/2025, que cria sanções administrativas para o porte ou consumo de drogas ilícitas em espaços públicos da capital.

A proposta, de autoria do vereador Sargento Jalyson (PL), prevê multa de R$ 1.500 para usuários flagrados consumindo substâncias ilícitas em vias públicas, praças, parques, campos de futebol e outros ambientes de uso coletivo.

O texto estabelece ainda que o valor da penalidade poderá ser suspenso caso o infrator aceite, de forma voluntária, se submeter a tratamento contra dependência química. Com a aprovação inicial, o projeto retorna às comissões internas da Casa para análise de emendas antes de seguir para a votação final.

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Justificativas e debates

Durante a discussão, Sargento Jalyson afirmou que o objetivo da medida é “dar mais uma ferramenta aos agentes de segurança pública” no enfrentamento ao consumo de drogas em espaços coletivos. Segundo ele, a decisão do Supremo Tribunal Federal que descriminalizou o porte de até 40 gramas de maconha para uso pessoal teria reduzido a efetividade das abordagens, contribuindo para que famílias deixassem de frequentar locais públicos.

O vereador destacou que a multa seria aplicada por agentes da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal, mediante convênio com a Prefeitura, sem necessidade de equipes adicionais

Ele defendeu ainda que os recursos arrecadados seriam totalmente revertidos para políticas de tratamento e reinserção de dependentes químicos.

Jalyson citou como referência um modelo semelhante em funcionamento em Santa Catarina, que, segundo ele, tem apresentado “bons resultados”. “Esse projeto é o ciclo do bem. Em BH não se fuma na praça”, declarou.

Vereadores como Pablo Almeida (PL), Braulio Lara (Novo) e Cláudio do Mundo Novo (PL) manifestaram apoio ao projeto, alegando que a população tem cobrado ações mais firmes para coibir o consumo de drogas em áreas públicas, especialmente próximo a escolas e praças.

Parlamentares de oposição contestaram duramente a proposta. Luiza Dulci (PT) afirmou que órgãos como a Clínica de Direitos Humanos da UFMG, secretarias municipais e a Defensoria Pública do Estado (DP-MG) se posicionaram contra o PL. De acordo com o parecer da Defensoria, a medida seria “inconstitucional, ilegal e absolutamente ineficaz”.

Para Juhlia Santos (Psol), o município não tem competência para criar sanções administrativas que, na prática, replicam punições já previstas na legislação federal antidrogas.

Ela também criticou a possibilidade de extinção da multa mediante adesão ao tratamento, afirmando que isso pode levar a uma coerção indireta, sobretudo entre pessoas de baixa renda.

A vereadora Cida Falabella (Psol) ressaltou que o consumo de álcool — droga legalizada — causa mais mortes no país do que outras substâncias ilícitas, defendendo que o vício deve ser tratado como questão de saúde pública, e não de repressão. “Usuário não é bandido”, afirmou.

Próximos passos

Com a aprovação em primeira votação, o PL 155/2025 segue agora para as comissões temáticas da Câmara, onde receberá análise de eventuais emendas. Depois dessa etapa, retorna ao Plenário para a votação definitiva.

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