Mas ritmo de contratações desacelera
Estado acumula 87,4 mil vagas em 2026, resultado 30% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado
Minas Gerais encerrou o mês de maio com saldo positivo de 8.922 empregos formais, segundo dados do Novo Caged analisados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). Apesar da geração líquida de vagas, o desempenho confirma a desaceleração do mercado de trabalho observada ao longo de 2026.
No acumulado de janeiro a maio, o estado criou 87.375 postos de trabalho com carteira assinada, volume 30% inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o saldo foi de 125.231 vagas.
O movimento acompanha o cenário nacional. Em maio, o Brasil registrou saldo positivo de 72.960 empregos formais, resultado bem abaixo das expectativas do mercado, que projetava a criação de cerca de 165 mil vagas. Nos cinco primeiros meses do ano, o país acumulou 767.326 novos vínculos formais, queda de 28% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando foram gerados mais de 1,06 milhão de empregos.
Em Minas Gerais, os setores de Serviços (5.235 vagas), Construção (3.263), Comércio (2.286) e Indústria Extrativa (280) apresentaram saldo positivo em maio. Já a Agropecuária (-3.097 vagas) e a Indústria de Transformação (-1.919) encerraram o mês com fechamento líquido de postos de trabalho.
Na avaliação do economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, a perda de ritmo nas contratações é compatível com um ambiente macroeconômico mais desafiador e já era esperada.
“O que observamos neste momento é uma desaceleração do crescimento, e não uma reversão da trajetória do mercado de trabalho. O saldo permanece positivo, indicando que a economia continua criando empregos formais, ainda que em um ritmo mais moderado“, afirma.
Segundo o economista, as empresas seguem contratando, porém de forma mais cautelosa diante do cenário de juros ainda elevados, das incertezas fiscais e do ambiente econômico que exige maior prudência nas decisões de investimento.
Perspectivas
A expectativa da FIEMG é que a geração de empregos continue positiva nos próximos meses, mas em ritmo mais moderado. Mesmo com a continuidade do ciclo de redução da taxa Selic, o custo do crédito permanece elevado, reduzindo o apetite das empresas por novos investimentos e contratações.
No cenário doméstico, as incertezas fiscais e o ambiente eleitoral também tendem a influenciar as decisões do setor produtivo. Já no contexto internacional, embora o alívio recente das tensões no Oriente Médio tenha contribuído para a queda dos preços do petróleo, persistem preocupações relacionadas às disputas comerciais e à política tarifária dos Estados Unidos.
De acordo com a entidade, a expansão do emprego formal deverá ocorrer de forma desigual entre os setores, refletindo as diferentes necessidades de crédito, investimento e demanda de cada segmento da economia.
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