Músicos cobram valorização e denunciam precarização em MG

Sinfonica William Dias Sinfonica William Dias
Pedidos incluem reajuste salarial, concurso público e combate ao assédio. Foto: William Dias/Almg.

Demandas foram apresentadas em audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais

Representantes do setor cultural mineiro cobraram melhores condições de trabalho, valorização profissional e o fim de práticas de assédio moral durante audiência pública realizada nesta semana na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O encontro, promovido pela Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social, atendeu a requerimento do deputado Leleco Pimentel (PT).

A pauta foi apresentada pelo Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado de Minas Gerais e inclui a revisão do plano de carreira, reajuste de remunerações, criação ou incorporação de verbas extraordinárias, realização de concurso público e regularização de vínculos de trabalho.

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Segundo a entidade, a situação atual dos profissionais da Fundação Clóvis Salgado (FCS), responsável pela Orquestra Sinfônica e pelo Coral Lírico de Minas Gerais, é de crescente precarização.

De acordo com o presidente do sindicato, Antônio Maria Pompeu Viola, os salários estão entre os mais baixos do país para instituições similares. O valor inicial gira em torno de R$ 1,6 mil, pouco acima do salário mínimo. O último concurso público foi realizado em 2013, o que tem levado à ampliação de contratações temporárias consideradas precárias.

Durante a audiência, trabalhadores relataram dificuldades para manter instrumentos e exercer a profissão. O violoncelista João Cândido dos Santos afirmou que o custo para manutenção do próprio instrumento consome boa parte da renda mensal. Já o cantor Paulo Henrique Campos Silva destacou que, no caso dos coralistas, os investimentos com a própria saúde vocal também recaem integralmente sobre os profissionais.

Outro ponto levantado foi a denúncia de possíveis represálias contra trabalhadores que participaram de debates públicos sobre o tema, incluindo demissões recentes de contratados temporários. A situação levou à suspensão momentânea da reunião, após intervenção do superintendente regional do trabalho, que pediu garantias para a livre manifestação dos participantes.

A audiência também retomou o debate sobre a demissão da maestra Lígia Amadio, ocorrida no início de 2026, após denúncias de precarização das condições de trabalho.

Diante do cenário, foi anunciada a criação de uma mesa de negociação envolvendo representantes dos trabalhadores, da fundação e do governo estadual. As reuniões devem ocorrer na Superintendência Regional do Trabalho, com o objetivo de apurar as denúncias e buscar soluções para as demandas apresentadas.

O presidente da Fundação Clóvis Salgado, Yuri Mello Mesquita, afirmou que está aberto ao diálogo e que a realização de concurso público é prioridade da atual gestão. Ele também garantiu que não serão toleradas práticas de assédio no âmbito da instituição.

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