Construção civil em Minas perde ritmo e preocupa setor, aponta FIEMG

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O número de pessoas ocupadas na construção civil em Minas caiu 2,4% no primeiro trimestre de 2026. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

Boletim mostra queda de 3,7% no PIB da construção no primeiro trimestre de 2026

A construção civil em Minas Gerais começou 2026 em desaceleração e com desempenho inferior ao registrado no restante do país. É o que revela o Boletim da Construção, elaborado pela Gerência de Economia da FIEMG, que aponta queda de 3,7% no Produto Interno Bruto (PIB) do setor no primeiro trimestre deste ano.

No mesmo período, a construção civil brasileira registrou crescimento de 1,3%.

Na comparação com o trimestre anterior, o cenário também foi desfavorável para Minas. Enquanto a atividade no estado recuou 0,2%, o setor avançou 2,9% no Brasil. Segundo a FIEMG, os números confirmam a continuidade da perda de dinamismo observada desde 2025.

Além da retração econômica, o levantamento mostra impactos no mercado de trabalho. O número de pessoas ocupadas na construção civil em Minas caiu 2,4% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. Em nível nacional, houve crescimento de 0,4%.

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De acordo com o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, fatores como o elevado custo do crédito, as altas taxas de financiamento e o baixo nível de confiança dos investidores continuam dificultando a recuperação da atividade no estado.

Apesar do cenário desafiador, alguns indicadores apresentaram melhora. As vendas de materiais de construção cresceram 8,7% em março, na comparação com o mesmo mês de 2025, desempenho superior ao observado no Brasil. No entanto, o acumulado do ano ainda registra queda de 1,9%, indicando que a recuperação ainda é limitada.

O boletim também aponta desaceleração na inflação da construção, embora os custos com mão de obra permaneçam elevados. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) acumulou alta de 5,84% em 12 meses, impulsionado principalmente pelo aumento de 8,82% nos gastos com trabalhadores qualificados.

Outro desafio destacado pela FIEMG é o acesso ao crédito. Embora os financiamentos imobiliários tenham alcançado R$ 21,8 bilhões em abril, o custo elevado das operações continua restringindo novos investimentos e reduzindo o ritmo de lançamentos no setor.

Para a Federação, programas habitacionais e investimentos públicos devem ajudar a evitar uma retração mais acentuada ao longo de 2026.

Ainda assim, a expectativa é de que a construção civil mineira encerre o ano próxima da estabilidade, sem recuperar integralmente as perdas acumuladas nos últimos períodos.

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