Pesquisa aponta cenário financeiro complexo
O nível de endividamento das famílias de Belo Horizonte caiu levemente em agosto, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e analisada pelo Núcleo de Pesquisa e Inteligência da Fecomércio MG.
O índice recuou 0,2 ponto percentual em relação a julho, atingindo 88,2% dos consumidores.
Inadimplência sobe pelo quarto mês
Apesar da queda no endividamento, a inadimplência continua em alta desde maio. Entre julho e agosto, o indicador avançou 2,2 pontos, alcançando 59,9% dos consumidores com dívidas em atraso. Já o número de pessoas sem condições de quitar as dívidas caiu de 20,2% para 19,8% no período.
As famílias superendividadas — que comprometem mais da metade da renda com débitos — também registraram leve redução, passando de 20,5% para 20,3%.
Perfil do consumidor endividado
De acordo com a pesquisa, 49,8% dos entrevistados se consideram pouco endividados, 23,8% avaliam estar moderadamente endividados, 14,6% muito endividados e 11,8% afirmam não possuir dívidas.
O cartão de crédito é o principal fator de endividamento: em agosto, 96,7% das famílias tinham dívidas no cartão, chegando a 98,8% entre as de renda superior a 10 salários mínimos.
Diferença por faixa de renda
A inadimplência é mais acentuada entre famílias que ganham até 10 salários mínimos, com taxa de 61,8%, contra 49% entre as de renda mais alta. Entre os endividados, 68% estão com compromissos em atraso. Para setembro, 21,3% das famílias de renda mais baixa acreditam que não conseguirão quitar as dívidas, enquanto entre as de maior renda o percentual é de 11,5%. Considerando os consumidores individualmente, 33% avaliam não ter condições de pagar os compromissos.
Tempo de atraso e impacto no orçamento
Entre os inadimplentes, 38,7% têm contas atrasadas há mais de 90 dias. Em média, as dívidas estão vencidas há 58,4 dias e comprometem 30,5% da renda mensal por cerca de 7,2 meses.
Análise da Fecomércio MG
Para Gabriela Martins, economista da Fecomércio MG, o quadro reflete uma combinação de cautela e dificuldade.
“Por um lado, há uma leve redução no endividamento, indicando reorganização financeira. Por outro, a inadimplência segue em alta, pressionada pelo aumento do custo de vida, especialmente alimentos e serviços básicos. O cartão de crédito permanece como principal instrumento de endividamento, usado para despesas correntes sem a quitação integral da fatura”, explica.
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