Relatos de perseguição e violações de direitos
Perseguições, desaparecimentos, violações de direitos humanos e abandono forçado de bens, familiares e projetos de vida nos Estados Unidos foram alguns dos relatos apresentados em audiência pública da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
O encontro ocorreu em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce.
Debate sobre deportações e impactos da política
A reunião foi solicitada pelo deputado Betão (PT), presidente da comissão, e realizada na Câmara Municipal. O objetivo foi debater os impactos da política anti-imigração do governo de Donald Trump e as condições de repatriação de trabalhadores mineiros deportados.
O casal Cristiane de Souza Campos e Wilian Pereira dos Santos está entre os quase 2 mil brasileiros obrigados a retornar ao País somente em 2025. Wilian relatou que passou 61 dias preso antes de ser deportado, período em que perdeu o nascimento do filho e enfrentou restrições severas de alimentação e água.
Mulheres relatam abusos em centros de detenção
Casos semelhantes foram relatados por familiares e representantes de organizações de apoio. Josefa Bezerra da Silva denunciou a prisão prolongada de seu filho em centro de detenção do ICE, sem contato por meses.
Já Heloísa Maria Galvão, cofundadora do Grupo Mulher Brasileira, afirmou que brasileiros são caçados, sequestrados e mantidos em condições degradantes, sem acesso a higiene, medicação ou alimentação adequada.
Brasileiros desaparecidos e famílias desamparadas
Entre os casos citados, está o de um brasileiro desaparecido após o assassinato do filho, e outro preso diante do filho pequeno, que foi deixado sozinho no carro. “A situação está insustentável. As pessoas não vão ao supermercado, não levam filhos à escola, por medo”, afirmou Heloísa.
Minas Gerais lidera em número de deportados
Segundo Bruno Pereira Albuquerque de Abreu, do Ministério das Relações Exteriores, a maioria dos brasileiros deportados é de Minas Gerais, representando mais de 60% dos casos.
Ele alertou para os riscos da travessia irregular pela fronteira mexicana e recomendou que os migrantes busquem formas seguras e legais de imigração.
A cultura migratória em Governador Valadares
A professora Sueli Siqueira, da Univale, explicou que a migração faz parte da identidade de Governador Valadares. Desde a Segunda Guerra Mundial, com a chegada de trabalhadores norte-americanos e a atuação da família Simpson na cidade, o município consolidou uma forte ligação com os Estados Unidos. Programas de intercâmbio e a busca por melhores condições de vida intensificaram esse fluxo a partir da década de 1960.
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