Durante evento realizado nesta quinta-feira, no município de Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha (MG), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
E reafirmou que o Brasil não cederá a pressões externas, sobretudo no que diz respeito às ameaças tarifárias sobre produtos brasileiros.
No discurso, Lula deixou claro que está aberto ao diálogo, mas frisou que nenhuma nação terá o poder de ditar o que o Brasil deve ou não fazer. Em tom firme, o presidente defendeu a soberania do país e criticou o conteúdo de uma carta pública de Trump, classificando-a como “um desaforo ao povo e ao Judiciário brasileiro”.
“Não aceitamos intimidação de ninguém”
Lula rechaça tom agressivo de Trump
Segundo Lula, a carta em que Trump exige o fim do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é um gesto inaceitável. “Recebi uma carta pelo jornal, não como se manda a um chefe de Estado. Ele fez ameaças veladas ao Brasil, dizendo que perseguimos Bolsonaro. Isso é um insulto. Aqui, quem decide é a Justiça, não presidente estrangeiro”, disparou.
O petista também rebateu o argumento de Trump de que as big techs não devem ser reguladas. “Ele diz que controlar redes sociais é ferir a liberdade de expressão. Não! Nós queremos impedir a liberdade de agressão, de espalhar ódio. E aqui, no Brasil, elas vão ser regulamentadas sim”, garantiu o presidente, sendo aplaudido pelo público.
Brasil nega déficit e contesta dados
Superávit comercial é favorável aos EUA, diz Lula
Ao rebater alegações de que o Brasil tem se beneficiado comercialmente dos Estados Unidos, Lula apresentou dados contrários. “Ele disse que temos superávit com os EUA. É mentira. Nos últimos 15 anos, foram US$ 410 bilhões de superávit para os americanos”, afirmou, apontando que os números não sustentam a narrativa de prejuízo ao mercado norte-americano.
Presidente cita diálogo com líderes mundiais
Brasil quer conversar, mas com respeito
Lula enfatizou, segundo o itatiaia.com, que mantém relações diplomáticas com líderes de todo o mundo e já conversou com diversos ex-presidentes dos EUA — como Bush, Clinton, Obama e Biden — além de Xi Jinping (China), Justin Trudeau (Canadá) e Andrés Manuel López Obrador (México). “Ontem mesmo falei por 40 minutos com a presidente do México. O mundo está disposto a conversar. Mas Trump não quer. Ele ameaça”, criticou.
Sobre a declaração de Trump, que deu prazo até 1º de agosto para o Brasil responder sob risco de imposição de tarifa de 50%, Lula ironizou com bom humor mineiro: “Não sou mineiro, mas sou bom de truco. Se ele estiver trucando, vai tomar um seis”.
Caminho é a negociação, afirma Lula
Presidente reforça papel do diálogo diplomático
Lula também lembrou que o Brasil já participou de dez rodadas de negociação com os Estados Unidos, o que mostra disposição para construir acordos. “O Brasil está acostumado a negociar. Mas precisa ser com respeito mútuo. Não vamos aceitar ultimatos. Vamos defender a nossa indústria, nossos trabalhadores e nossa soberania”, finalizou.
.
Leia mais:
Nova lei em Minas combate fake news com educação e debate


