Marinha libera navegação parcial
Ícone arquitetônico e cartão-postal de Belo Horizonte, a Lagoa da Pampulha teve sua navegação proibida em 1968, quando a poluição e os riscos à saúde se tornaram alarmantes.
Mais de 50 anos e milhões de reais depois, a paisagem continua comprometida: moradores, comerciantes e turistas ainda reclamam do mau cheiro e da água turva, problemas que afetam lazer, turismo e qualidade de vida na região.
Em julho, após parecer favorável da Marinha do Brasil sobre as condições de navegabilidade, o prefeito Álvaro Damião anunciou a intenção de liberar passeios de barco e esportes aquáticos na represa até o fim de 2025.
O plano reacendeu debates e levou a Comissão de Meio Ambiente, Defesa dos Animais e Política Urbana da Câmara Municipal a aprovar, na última segunda (11), pedidos formais de informação sobre a real situação da Lagoa e a viabilidade do retorno das embarcações.
Histórico de poluição e abandono
O vereador Pablo Almeida (PL) quer esclarecimentos do Executivo sobre as causas do mau cheiro na orla — especialmente nas proximidades da Praça Aleijadinho, próximo ao Aeroporto da Pampulha — e se há obras emergenciais previstas para resolver o problema. Ele lembra vistoria realizada em 2022 que apontou possível rompimento de rede interceptora de esgoto da Copasa, liberando gases tóxicos como sulfídrico e metano.
Pablo também cobra explicações sobre o prazo para eliminar definitivamente o despejo irregular de esgoto na Lagoa. Um acordo homologado em março de 2023 previa prazo de até cinco anos, mas foi reduzido para três — com apenas 25% das obras concluídas. Ele cita levantamento de 2022 que apontava gasto de mais de R$ 1,4 bilhão sem resultados práticos. “Não é falta de dinheiro, é falta de compromisso e gestão”, criticou.
No dia 8 de julho, acompanhado por representantes da Capitania dos Portos Fluviais de Minas Gerais, o prefeito percorreu a Lagoa e afirmou que a água estava limpa e sem odor. Disse ainda que, embora mergulhos ainda não sejam possíveis, a navegação turística e esportiva deve voltar.
A expectativa é enviar o projeto à Câmara para aprovação até o próximo ano.
Esportes aquáticos em debate
O anúncio motivou o vereador José Ferreira (Pode) a solicitar detalhes sobre quais modalidades serão liberadas e quais tipos de embarcação terão permissão. Ele quer acesso ao laudo técnico da Marinha e documentos ambientais. A preocupação inclui poluição sonora, segurança de banhistas e esportistas, e a convivência de pedalinhos e windsurfistas com lanchas e jet skis.
A pressão legislativa não é recente.
Em 2024, foi criada a CPI da Lagoa da Pampulha, que investigou desde o despejo irregular de esgoto nos córregos que abastecem a represa — inclusive de cidades vizinhas — até falhas em contratos e execução de obras. Em abril, o tema voltou a ser o mais discutido em audiência pública sobre saneamento básico.




