CCJ da ALMG dá aval à proposta que permite privatização da Copasa

CCJ da ALMG aprova privatizacao da Copasa William Dias Balcao News 18 11 CCJ da ALMG aprova privatizacao da Copasa William Dias Balcao News 18 11
Os funcionários terão seus contratos preservados por 18 meses após a privatização. Foto: William Dias-Almg.

 Apesar de obstrução da oposição

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou, ontem, segunda-feira (17/11), o parecer de constitucionalidade, legalidade e juridicidade do Projeto de Lei (PL) 4.380/2025, que autoriza a privatização da Copasa.

A análise foi marcada por tentativas de obstrução da oposição, mas o texto recebeu aval da maioria dos membros.

O relator, deputado Doorgal Andrada (PRD), apresentou o substitutivo nº 1, que altera trechos da proposta enviada pelo governador Romeu Zema (Novo).

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As mudanças, segundo ele, buscam reforçar garantias de qualidade no atendimento aos usuários e proteger postos de trabalho.

Como poderá ocorrer a privatização

O substitutivo prevê que o Estado poderá vender a Copasa por meio de:

  • alienação de participação societária;
  • aumento de capital, com oferta pública de ações que resulte na perda do controle acionário.

Também autoriza operações como criação, cisão ou fusão de subsidiárias.

Após a desestatização, a empresa deve cumprir metas de universalização do abastecimento de água e esgoto, incluindo áreas rurais e núcleos urbanos informais, além de garantir a manutenção da tarifa social e da modicidade tarifária.

O texto reforça que a companhia terá de assegurar qualidade nos serviços, redução de perdas, mecanismos ágeis de contestação de contas, estratégias para o período de estiagem e incentivo ao uso consciente da água.

Os funcionários terão seus contratos preservados por 18 meses após a privatização.

Outra mudança autoriza a incorporação da Copanor, subsidiária voltada ao atendimento no Norte de Minas e nos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri.

Os recursos obtidos com a venda serão destinados à dívida do Estado com a União, conforme o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Parte poderá fortalecer o fundo estadual de saneamento básico.

Argumentos do governo

Na justificativa enviada à ALMG, o governador Romeu Zema afirma que a privatização é necessária para cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento, que exige, até 2033, acesso à água potável para 99% da população e coleta e tratamento de esgoto para 90%.

O governo sustenta ainda que um terço dos contratos da Copasa vencerá na próxima década e não poderá ser renovado, já que o Marco Legal proíbe acordos sem licitação. Alega também que o Estado tem baixa capacidade de investimento, o que comprometeria a universalização dos serviços.

Críticas da oposição

Deputados da oposição tentaram impedir a votação do parecer e afirmam que a privatização pode aumentar tarifas e reduzir a qualidade do serviço, principalmente em pequenas cidades.

A deputada Beatriz Cerqueira (PT) citou relatório da empresa Ernst & Young, encomendado pela própria Copasa, que prevê reajustes anuais maiores após a venda da companhia. Ela também contestou a narrativa do Executivo de que a empresa não conseguiria cumprir as metas do Marco Legal. “O governo mentiu em sua agência oficial?”, questionou.

Beatriz e outros parlamentares criticaram a falta de garantias sobre os investimentos futuros em localidades pequenas. Já a deputada Bella Gonçalves (Psol) alertou para incertezas sobre a continuidade dos contratos com municípios e lembrou a possibilidade de redução da dívida estadual via federalização da Codemge — alternativa que, segundo ela, foi esvaziada com a recente mudança na composição societária da empresa.

O deputado Doutor Jean Freire (PT) reforçou que a população é contrária à privatização e alertou para possível piora na prestação do serviço. “A empresa privatizada não vai querer investir nas pequenas cidades”, afirmou.

A oposição apresentou 56 emendas, que buscavam impedir aumentos abusivos, garantir investimentos já previstos e preservar áreas ambientais da Copasa. Todas foram rejeitadas.

Próximos passos

Com o parecer aprovado — e votos contrários apenas de Beatriz Cerqueira e Doutor Jean Freire —, o PL 4.380/2025 segue para análise da Comissão de Administração Pública, ainda no 1º turno.

Após essa etapa, o texto poderá ir a Plenário.

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