FIEMG prevê avanço econômico de 2,3% em 2025 no Brasil

Três representantes de entidades industriais e jornalísticas sentados à mesa durante coletiva de imprensa do balanço econômico da FIEMG, com logotipos da FIEMG ao fundo. Três representantes de entidades industriais e jornalísticas sentados à mesa durante coletiva de imprensa do balanço econômico da FIEMG, com logotipos da FIEMG ao fundo.
O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe apresenta balanço da economia ao lado de Guilherme Abrantes, presidente do Silemg e de Paulo André Nacife, presidente do Sinejorbh, na sede da FIEMG.

Perspectiva para 2025: crescimento mais contido

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) apresentou, nesta quinta-feira (18/12), em Belo Horizonte, seu balanço anual com indicadores econômicos e projeções para o próximo ano. O destaque do documento é a expectativa de crescimento de 2,3% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025, uma taxa inferior à expansão de 3,4% registrada em 2024.

De acordo com a FIEMG, o arrefecimento do crescimento é consequência direta da atual política monetária restritiva, que impacta, de forma mais aguda, os setores mais sensíveis ao crédito, como serviços e indústria de transformação. A contenção dos investimentos, o elevado custo do capital e o cenário fiscal ainda frágil compõem o pano de fundo deste comportamento mais moderado da economia nacional.

Modelo econômico atual está esgotado

Para o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, o desaquecimento da economia não ocorre apenas por razões conjunturais, mas também por um fator estrutural mais profundo: o esgotamento do modelo de crescimento adotado nos últimos anos.

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“O que vemos é a exaustão de uma estratégia ultrapassada, baseada em aumento do gasto público e políticas de transferência de renda focadas, majoritariamente, no consumo. Isso gera impulso momentâneo, mas não sustenta o crescimento a longo prazo”, pontuou Roscoe durante o evento.

Segundo ele, o Brasil se encontra num ponto decisivo. “Estamos diante de uma bifurcação histórica: ou seguimos por um caminho de modernização e produtividade, ou continuamos presos em um ciclo de crescimento baixo, de resultados tímidos para a sociedade”, alertou.

Minas Gerais: estabilidade com potencial de expansão

Mesmo diante de um cenário nacional desafiador, Minas Gerais mantém seu protagonismo econômico. A FIEMG projeta um crescimento de 2% para o PIB mineiro em 2025, abaixo dos 3,1% registrados no ano anterior, mas ainda sólido considerando o contexto nacional.

Vista ampla de reunião com lideranças empresariais, jornalistas e representantes da FIEMG durante a apresentação do balanço econômico de 2025.
O economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, ressalta ainda o papel estratégico da indústria e da infraestrutura logística estadual. Foto: Sebastião Jacinto Jr/Fiemg.

O economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, destaca o desempenho consistente do estado:

“Minas tem demonstrado uma resiliência admirável. Entre 2021 e 2024, o crescimento médio anual foi de 3,8%, superando a média nacional de 3,6%. Isso mostra que temos uma base econômica sólida e um ambiente favorável à atração de investimentos.”

Ele ressalta ainda o papel estratégico da indústria e da infraestrutura logística estadual, que contribuíram para a geração de empregos e a diversificação econômica.

Projeções para 2026: cautela e recuperação gradual

O horizonte de 2026 traz previsões mais moderadas. A FIEMG acredita que a atividade econômica seguirá com ritmo comedido, principalmente devido à manutenção de juros elevados e um cenário fiscal ainda incerto.

Flávio Roscoe sinaliza, entretanto, uma possibilidade de recuperação gradual:

“Com uma eventual redução na taxa básica de juros e a retomada dos investimentos produtivos, especialmente no setor industrial, poderemos assistir a um novo ciclo de crescimento mais consistente.”

Esse movimento dependerá, no entanto, da implementação de reformas estruturantes, do controle das contas públicas e da estabilidade institucional que garanta segurança para investidores nacionais e internacionais.

Desempenho industrial: cautela diante do crédito caro

A indústria mineira, um dos pilares da economia estadual, deverá crescer 1,6% em 2025, segundo a FIEMG. Esse desempenho, embora abaixo do ideal, reflete os entraves impostos pela política monetária rígida que restringe o acesso ao crédito e encarece os custos operacionais.

Dentre os segmentos industriais com melhor performance até o segundo trimestre de 2025, destacam-se:

  • Indústria de Transformação: crescimento de 2,2%
  • Energia e Saneamento: expansão de 1,3%

Já em âmbito nacional, o PIB industrial deverá subir 1,5%, sinalizando um cenário de estagnação relativa para o setor, que continua à espera de condições macroeconômicas mais favoráveis para uma retomada plena.

Mercado de trabalho: solidez na geração de empregos

Apesar dos desafios no ambiente macroeconômico, o mercado de trabalho segue como ponto de sustentação da economia brasileira em 2025. A taxa de desemprego nacional foi de 5,6% no 3º trimestre, o menor índice para o período desde o início da série histórica do IBGE, em 2012.

Minas Gerais se destacou ainda mais: o desemprego recuou de 5,7% para 4,1% entre o 1º e o 3º trimestre, consolidando o estado como um dos mais dinâmicos na geração de postos de trabalho.

Apenas o setor industrial, incluindo construção civil, empregou 20,8 milhões de pessoas no Brasil, sendo 2,4 milhões apenas em Minas Gerais, até o 3º trimestre de 2025. Para este ano, a FIEMG projeta uma taxa de desemprego nacional de 5,4%, mantendo a tendência de estabilidade com leve viés de melhora.

Inflação sob controle, mas ainda acima do ideal

Outro ponto abordado no relatório da FIEMG foi o comportamento da inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deverá fechar o ano de 2025 em 4,4%, permanecendo acima do centro da meta de 3%, mas ainda dentro do intervalo de tolerância definido pelo Banco Central.

A inflação persistente é resultado de pressões em cadeias específicas de produtos e serviços, além da inércia inflacionária herdada de anos anteriores. O controle mais firme dos preços dependerá de uma atuação eficiente da política monetária e da previsibilidade fiscal.

Caminhos para um futuro mais sustentável

Em sua conclusão, a FIEMG enfatiza que o Brasil possui plenas condições de retomar um ciclo virtuoso de crescimento, desde que promova ajustes estratégicos na condução da política econômica e na relação entre setor público e setor produtivo.

Entre as recomendações apresentadas estão:

  • Estímulo à produtividade industrial, com foco em inovação tecnológica
  • Avanço em reformas estruturais, especialmente tributária e administrativa
  • Redução do custo Brasil, que limita a competitividade das empresas
  • Incentivos ao investimento privado e à infraestrutura sustentável

“É hora de repensar o modelo de crescimento e apostar em um desenvolvimento que una eficiência, responsabilidade fiscal e inclusão social. Minas Gerais já dá sinais claros de que isso é possível”, concluiu Flávio Roscoe.

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