Cidade decreta calamidade pública
A cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, amanheceu de luto nesta terça-feira (24/2). O temporal que castigou o município desde a noite de segunda-feira deixou, ao menos, 14 mortos e centenas de famílias desalojadas. Diante da gravidade do cenário, a Prefeitura decretou estado de calamidade pública.
Até o momento, o balanço oficial confirma sete deslizamentos fatais, distribuídos por diferentes bairros da cidade. Aproximadamente 440 pessoas ficaram desabrigadas e dependem, neste momento, de apoio emergencial do poder público.
A paisagem é de devastação. Ruas cobertas de lama, imóveis comprometidos, estruturas interditadas. A força da chuva expôs fragilidades urbanas e impôs uma rotina de apreensão aos moradores.
Deslizamentos atingem bairros
As chuvas intensas provocaram desabamentos de edificações e quedas de encostas em várias regiões. No bairro Paineiras, área central do município, a ruptura de um barranco soterrou parte de um prédio residencial e duas casas vizinhas. O impacto foi imediato. O silêncio da madrugada deu lugar ao som de sirenes e máquinas.
No bairro JK, outro ponto crítico, a Defesa Civil confirmou o desmoronamento de uma edificação. Equipes de resgate seguem mobilizadas, inclusive com cães farejadores, na tentativa de localizar possíveis vítimas sob os escombros.
Somente na segunda-feira, foram registradas 251 ocorrências relacionadas ao temporal. Entre elas, alagamentos, deslizamentos, quedas de árvores e interdições estruturais. Um volume expressivo que evidencia a dimensão da tragédia.
“As equipes municipais continuam mobilizadas no atendimento às ocorrências, no suporte às famílias atingidas e na busca por desaparecidos”, informou a Prefeitura em nota oficial.
A íntegra da Nota de pesar
“Nota de pesar
A Prefeitura de Juiz de Fora, em articulação com a Defesa Civil Estadual e o Corpo de Bombeiros, manifesta profundo pesar pelo registro de vítimas fatais em decorrência das fortes chuvas que atingiram o município nesta segunda-feira, 23 de fevereiro.
Até o momento, estão confirmados 14 óbitos, conforme detalhamento a seguir:
quatro óbitos em decorrência de soterramento na Rua Natalino José de Paula, bairro JK;
quatro óbitos na Rua Orville Derby Dutra, bairro Santa Rita;
dois óbitos na Rua João Luís Alves, Vila Ideal;
um óbitos na Rua José Francisco Garcia, bairro Lourdes;
um óbito na Rua Eurico Viana, Vila Alpina;
um óbito na Estrada Athos Branco da Rosa, bairro São Benedito;
um óbito na Rua Jacinto Marcelino, Vila Olavo Costa.
A Defesa Civil registra, ainda, uma estimativa de 440 pessoas desabrigadas, que estão recebendo apoio da Prefeitura para acolhimento e acomodação provisória. No decorrer desta segunda, foram registradas 251 ocorrências.
As equipes municipais seguem mobilizadas no atendimento às ocorrências, no suporte às famílias atingidas e na procura por desaparecidos. Nova atualização dos dados está prevista para as 11h desta terça-feira, 24.”
Nova atualização dos dados foi prevista para a manhã desta terça-feira (24/2).
Mortes confirmadas e locais afetados
Até o momento, 14 mortes foram confirmadas em decorrência dos deslizamentos e desabamentos causados pelo temporal.
Quatro óbitos ocorreram na Rua Natalino José de Paula, no bairro JK. Outros quatro foram registrados na Rua Orville Derby Dutra, no bairro Santa Rita. Duas mortes aconteceram na Rua João Luís Alves, na Vila Ideal.
Também houve registros fatais na Rua José Francisco Garcia, no bairro Nossa Senhora de Lourdes; na Rua Eurico Viana, na Vila Alpina; na Estrada Athos Branco da Rosa, no bairro São Benedito; e na Rua Jacinto Marcelino, na Vila Olavo Costa.
Em manifestação oficial, a Prefeitura, em articulação com a Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e a Defesa Civil Estadual, expressou profundo pesar pelas vítimas e solidariedade às famílias atingidas.
Aulas suspensas e mobilização emergencial
Durante a madrugada desta terça-feira (24/2), o município formalizou a declaração de calamidade pública. A medida permite acelerar trâmites administrativos e viabilizar recursos para enfrentar a crise.
As aulas da rede municipal foram suspensas por tempo indeterminado. A prioridade agora é garantir acolhimento às famílias desalojadas, organizar abrigos temporários e reduzir riscos em áreas vulneráveis.
O solo permanece encharcado. O alerta continua. Técnicos avaliam a possibilidade de novos deslizamentos, sobretudo em encostas já fragilizadas.
A tragédia reforça um debate recorrente em Minas Gerais: a urgência de políticas estruturais de prevenção, planejamento urbano responsável e investimentos em infraestrutura. Enquanto isso, a população se une em solidariedade.
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