Setor recuou 1,8% em junho, mas desempenho foi melhor que o registrado no país
O turismo de Minas Gerais ainda enfrenta um cenário de retração, mas os dados de junho indicam sinais de recuperação da atividade. Segundo dados do IBGEanalisados pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, o volume de atividades turísticas no estado caiu 1,8% em junho, na comparação com maio, considerando a série com ajuste sazonal.
Apesar da queda, o resultado mineiro foi melhor que o registrado no Brasil, onde a retração chegou a 3,4%. A diferença de 1,6 ponto percentual mostra uma maior capacidade de sustentação do turismo estadual diante do cenário nacional.
O resultado de junho interrompeu uma sequência de dois meses de crescimento. Em abril, o setor avançou 2%, seguido de alta de 1,4% em maio. Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, os números mostram que, embora a atividade ainda esteja pressionada, há sinais de reação.
“Junho trouxe uma interrupção na sequência de crescimento observada em abril e maio, mas é importante olhar para a intensidade do movimento. A queda de Minas foi significativamente menor que a registrada no Brasil”, avalia.
Na comparação com junho de 2025, o volume de atividades turísticas em Minas caiu 2,6%, enquanto o país registrou retração de 5,3%. A diferença de 2,7 pontos percentuais reforça o desempenho relativamente mais favorável do estado.
Acumulado ainda é negativo
Apesar dos sinais recentes de melhora, o acumulado do primeiro semestre mostra que o turismo mineiro ainda tem terreno a recuperar. Entre janeiro e junho, a atividade caiu 5,1% em Minas Gerais, enquanto a retração nacional foi de 0,9%.
Segundo Fernanda Gonçalves, o resultado acumulado ainda reflete principalmente as perdas registradas no início do ano. Para ela, a sequência de crescimento observada em abril e maio representa uma base para uma recuperação gradual.
No acumulado de 12 meses, Minas registrou queda de 6,2% até junho, uma melhora em relação aos -6,6% registrados no mês anterior. O indicador, no entanto, ainda permanece distante de uma reversão da tendência.
Serviços pressionam atividade
Entre os segmentos que ajudam a explicar o desempenho do turismo estão os Transportes, Serviços Auxiliares aos Transportes e Correio, que respondem por quase 40% do volume de serviços do estado. O setor acumula queda de 3,4% no ano e de 3% em 12 meses.
Os Serviços Prestados às Famílias também apresentaram retração, de 1% no acumulado do ano e de 1,2% em 12 meses.
Para a Fecomércio MG, a recuperação do turismo depende de uma atuação integrada, que envolva transporte, hospedagem, alimentação, lazer e entretenimento. A estratégia também deve estimular a permanência dos visitantes e ampliar o consumo nos destinos.
“Minas tem uma característica importante: a diversidade de destinos permite trabalhar diferentes perfis de viajantes ao longo do ano. O momento exige transformar essa diversidade em estratégia comercial”, destaca Fernanda.
Minas fica atrás de estados do Sudeste e Nordeste
O desempenho do turismo varia entre os estados brasileiros. No acumulado de janeiro a junho, Minas Gerais registrou resultado inferior ao de Rio de Janeiro (5,4%), Bahia (3,8%), Mato Grosso (3,4%) e Espírito Santo (2,6%).
Por outro lado, o estado teve desempenho melhor que Ceará (-7,5%) e Pernambuco (-6,8%) e ficou próximo dos resultados de Paraná e Santa Catarina, ambos com retração de 5,3%.
Para a Fecomércio MG, os dados de junho ainda retratam um setor em recuperação, mas mostram sinais positivos na margem. A combinação entre os crescimentos de abril e maio, quedas menos intensas que as nacionais e a redução da perda acumulada em 12 meses pode indicar uma retomada gradual do turismo em Minas Gerais.
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