Atlético (milhões) X Palmeiras (bilhões)
O jogo entre Atlético e Palmeiras foi mais do que um confronto de 11 contra 11. Foi, na prática, um duelo de R$ 1,2 bilhão do elenco palmeirense contra R$ 609 milhões do elenco do Galo. Uma disparidade brutal no papel,
quase o dobro de investimento, que, em campo, simplesmente não apareceu.
O que se viu foi um Atlético organizado, intenso e competitivo, jogando de igual para igual e, em vários momentos, melhor, contra o time mais caro do futebol brasileiro. O Palmeiras teve a posse, como era esperado, mas o Galo teve as melhores ideias. Pressionou alto, encurtou os espaços e conseguiu mostrar, que está no caminho certo.
O Atlético esteve mais perto da vitória do que o Palmeiras. O Galo criou as chances mais claras, levou perigo real ao gol adversário e só não venceu porque faltou aquele último detalhe: a bola que entra; o rebote que sobra; uma arbitragem correta.
O jogo
O Atlético montou um plano inteligente: linhas compactas, transições rápidas e pressão direcionada. Quando recuperava a bola, saía com velocidade, buscando explorar o espaço às costas da defesa palmeirense. O Palmeiras, por sua vez, controlava mais a bola, mas tinha dificuldade para furar o bloqueio alvinegro.
O Galo soube absorver e não se acovardou. Quando teve espaço, atacou. Quando precisou defender, defendeu com organização.
As substituições
E aqui entra um ponto decisivo da partida.
As substituições do Atlético foram coerentes com o que o time fazia em campo. Entraram jogadores para manter intensidade, recompor setores e tentar aproveitar o desgaste do Palmeiras. O Galo não abriu mão de sua identidade: continuou pressionando e buscando o jogo.
Já o Palmeiras, ao mexer no time, buscou aumentar poder ofensivo, mas acabou perdendo equilíbrio em alguns momentos. Isso abriu espaços que o Atlético transformou em gols, inclusive do Cuello, que o VAR anulou erroneamente e motivou a expulsão do técnico Sampaoli.
Tudo reforça a sensação de que o resultado poderia ter sido melhor para o Galo.
Conclusão
No placar, pode até ter ficado tudo igual, ou resolvido no detalhe. Mas no contexto do jogo, o Atlético saiu maior. Um time que custa metade do adversário foi mais competitivo, mais organizado e mais perigoso.
Foi um recado claro ao futebol brasileiro:
O Galo pode até não ser o mais rico, mas mostrou-se em campo um time muito diferente da temporada passada e vai disputar a atual temporada em alto nível.
Né não?
Afonso Canabrava
Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.
Instagram: @afonsocanabrava
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