Câmara promete acelerar projeto de proteção
A Câmara Municipal de Belo Horizonte afirmou que não admitirá intimidações contra parlamentares após a vereadora Juhlia Santos denunciar ameaças recebidas por e-mail.
“O Legislativo não irá deixar que nenhum dos 41 parlamentares seja impedido de exercer o poder que lhes foi dado pelo povo de Belo Horizonte, que é legislar e fiscalizar”, declarou o presidente da Casa, Juliano Lopes.
Segundo ele, além de mensagens enviadas ao e-mail institucional da vereadora, o autor teria acessado também o endereço pessoal dela, citando detalhes da rotina, endereço residencial e nomes de familiares.
“As ameaças falam do local onde a vereadora mora, do trajeto até o trabalho e condicionam a interrupção das mensagens à renúncia do mandato. Isso é muito grave”, afirmou.
“Não se trata de um ataque individual”, diz vereadora
Em nota, Juhlia classificou o episódio como “ameaça grave, covarde e profundamente violenta”.
“A mensagem, carregada de racismo e transfobia, descreve detalhes da minha rotina e condiciona a continuidade da minha vida à renúncia do mandato”, afirmou.
Ela informou que adotou providências institucionais e reforçou a própria segurança e a da família. Para a parlamentar, o caso ultrapassa o âmbito pessoal.
“Não se trata apenas de um ataque individual: é violência política de gênero, dirigida a quem ousa romper as barreiras impostas a corpos como o meu, uma mulher trans, preta e periférica ocupando um espaço de poder que historicamente nos foi negado”, declarou.
A vereadora também afirmou que não será intimidada.
“Não serei interrompida. Não vou me paralisar pelo medo, não vou me esconder e não vou recuar.”
Polícia investiga suspeito
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que instaurou procedimento investigativo após o registro das denúncias e que adota todas as providências para identificar autoria e circunstâncias.
Segundo a corporação, há um suspeito sendo investigado pela Delegacia Especializada de Apuração de Ato Infracional em Belo Horizonte. Outras informações serão divulgadas com o avanço das investigações.
Projeto prevê escolta a parlamentares ameaçados
Paralelamente ao caso, tramita na Câmara, em segundo turno, um projeto de lei que cria o Programa Municipal de Proteção e Escolta a Parlamentares Ameaçados.
O texto é de autoria do vereador Sargento Jalyson (PL) e prevê protocolos formais de comunicação, registro e acompanhamento dos casos, além de medidas como escolta pessoal, reforço de segurança em eventos oficiais e vigilância preventiva em deslocamentos.
A proposta foi aprovada em primeiro turno, em fevereiro, com 31 votos favoráveis. Após as ameaças contra Juhlia, a presidência da Casa informou que discutirá a possibilidade de acelerar a tramitação.
“Você ameaçar uma parlamentar que passou por um processo eleitoral, disputou e venceu uma eleição para que ela renuncie? Isso é muito grave”, afirmou Juliano.
O caso reacende o debate sobre violência política de gênero e segurança de representantes eleitos no exercício do mandato.
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